quinta-feira, 29 de março de 2012

Declaração da Casa Geral da Fraternidade São Pio X


Oh Pai, que seja feita a Vossa vontade, e não a nossa

Após o encontro, 16 de março de 2012, com o cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, instantemente convida os fiéis a intensificar a fervor na oração e na generosidade dos sacrifícios estes dias sagrados e semanas por vir após a Festa da Páscoa, para que façam a vontade de Deus, e só ela, seguindo o exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo nos deu a Jardim das Oliveiras: não mea voluntas, sed tua fiat (Lucas 22:42).
Assim, a Sociedade de São Pio X, que só quer o bem da Igreja e a salvação das almas, vira com confiança à Virgem Maria para ela obter a partir de seu Divino Filho as luzes necessárias para saber claramente a sua vontade e para realizar com ousadia.
Deixe o fiel a gentileza de oferecer a Sagrada Comunhão por esta intenção. Faça-se plenamente no pensamento e ação, a oração que o Senhor nos pediu para dirigir o nosso Pai do céu: nomen tuum Sanctificetur, Adveniat regnum tuum, voluntas tua fiat sicut et nos caelo na terra, santificado seja o teu nome Venha o teu reino, tua vontade, assim na terra como no céu!
Menzingen, 29 de março de 2012

Meditações Para todos os Dias da Semana - Parte 4/6


QUINTA-FEIRA, O SUPLICIO DO INFERNO



— O inferno é um lugar destinado, pela justiça divi­na, a punir com suplícios eternos os que morrem em pecado mortal. Uma das penas que os condenados sofrem no inferno é a dos sentidos: são atormentados por um fogo que queima horrivelmente sem nunca diminuir de intensidade. Fogo nos olhos, fogo na boca, fogo em todas as partes. Oh! inferno, inferno! Como são infelizes os que caem nos teus abismos!

— Considera além disso, ó cristão, outra pena que experimenta a consciência dos condenados: é o remorso que lhes atormenta a memória, a inteligência e a vontade. Recorda­rão continuamente o motivo da sua perdição, isto é, por terem querido secundar alguma paixão. Esta lembrança será como um verme que lhes rói continuamente a consciência. Recorda­rão o tempo que Deus lhes deu para evitar a perdição, os bons exemplos dos outros, os propósitos feitos e não cumpridos. A vontade nunca alcançará o que deseja; ao contrário, padecerá todos os males. A inteligência sofrerá indizivelmente refletindo no grande bem que perdeu. Quem poderá resistir a tais tormen­tos?

— Ó alma, que agora não te importas de perder o teu Deus e o Paraíso, como então perceberás a tua cegueira, quando vires tantos conhecidos teus, mais ignorantes e mais pobres que tu, triunfarem e gozarem no reino dos céus, ao passo que tu serás amaldiçoada por Deus e serás arrojada para longe da pátria feliz, do gozo do mesmo Deus, da companhia da San­tíssima Virgem e dos Santos. Eia, pois, faze penitência; não esperes para quando não houver mais tempo: entrega-te a Deus. Quem sabe se não é este o último chamado? e, se não corres­pondes, quem sabe se Deus não te abandona e não te deixa cair naqueles eternos suplícios? Ó meu Jesus, livrai-me dos tormentos do inferno! Virgem Santíssima, pelas vossas dores, não permitais que eu fique separado de Vós na eternidade.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Meditações Para todos os Dias da Semana - Parte 3/6




QUARTA-FEIRA, O JUIZO PARTICULAR




— Logo que a alma tiver saído do corpo, comparecerá diante do Supremo Juiz. A primeira coisa que torna este comparecimento terrível à alma do pecador é que ela se encon­trará, sozinha, na presença de um Deus que ela desprezou, de um Deus que lhe conhece todos os segredos do coração, e to­dos os pensamentos. E diante do Divino Juiz, a alma só poderá levar o pouco de bem ou mal que tiver feito durante a vida.

— Então dirá aquele Juiz inapelável: — Quem és Tu?

Sou cristão, responderás. — Bem, replicará ele, se és cristão, vamos ver se procedeste como cristão. Em seguida começará a recordar-te as promessas que fizeste no Santo Batismo; lembrar-te-á as graças que te concedeu, e enfim todas as tuas ingratidões.
Que te parece, ó cristão, deste exame? Que te diz a consciência? Estás ainda em tempo, se quiseres. Pede a Deus perdão de teus pecados e faze um sincero propósito de não tornar a pecar.

— Esse é o momento em que, se a alma se achar manchada de pecado grave, ouvirá o inexorável juiz pronunciar a tremenda sentença: Filho infiel, dirá, para longe de mim! Vai para o fogo eterno, a gemer com os demônios para sempre! Aquela alma infeliz, antes de afastar-se para sempre do seu Deus, volverá pela última vez o olhar ao céu, e no auge da de­solação dirá: Adeus parentes! adeus amigos, que habitais no reino da glória! adeus pai, mãe, irmãos! vós gozareis para sem­pre e eu serei para sempre atormentado. Adeus, meu Anjo do Paraíso! não vos tomarei a ver jamais! Adeus, ó Salvador; adeus, ó Cruz santa; adeus; ó Sangue em vão por mim derra­mado; não vos tornarei a ver mais. Desde este momento eu não sou filho de Deus; serei para sempre escravo dos demônios no inferno.

— Então os demônios, que se tornaram senhores dessa alma, arrastando-a e empurrando-a, a farão cair nos seus abismos de torturas, de misérias, de tormentos etemos.

Ó alma, não receias que tal sentença seja também tua? Ah! por amor de Jesus e de Maria, porfia por conseguir com boas obras uma sentença que te seja favorável, e lembra-te que, assim como é terrível a sentença proferida contra o pecador, igualmente consolador será o convite que há de dirigir Jesus a quem viveu cristãmente.
Meu Jesus, concedei-me a graça de pertencer naquele dia ao número dos bem-aventurados. Virgem Santíssima, aju­dai-me; protegei-me na vida e na morte, e especialmente quan­do me apresentar ao vosso Filho para ser julgado.

A fórmula para se ganhar na loteria, por São João Bosco


No século XIX viveu um dos homens mais famosos por seus milagres e suas profecias: São João Bosco. Sua fama se espalhava por todos os lados. A uns, anunciava quantos anos iam viver; a outros, dizia o que se tornariam no futuro; e a muitos, lia os pecados antes de serem contados no confessionário. No total, foram mais de oitocentos milagres.


Um homem pobre ouviu falar das maravilhas que fazia este humilde sacerdote e correu em sua busca para perguntar-lhe algo muito importante: a fórmula para ganhar na loteria. Queria que o santo lhe dissesse que números devia escolher ao comprar o bilhete.


São João Bosco meditou por um tempo e lhe respondeu com segurança: “os números mágicos que lhe farão ganhar na loteria são estes: 10, 7, 14. Pode jogá-los em qualquer ordem, e mesmo assim ganharás”.


O homem se encheu de alegria e já se despedia para sair correndo e comprar o bilhete, quando o santo, tomando-lhe pelo braço, disse sorridente: “um momento, que ainda não lhe expliquei bem os números, nem lhe disse de que classe de loteria se trata. Veja: estes números significam o seguinte: “10” significa que você deve cumprir os Dez Mandamentos; “7” significa que você deve receber com frequência os sacramentos; “14” significa que você deve praticar as 14 obras de misericórdia, tanto as corporais como as espirituais. Se você cumprir estas três condições: observar os Mandamentos, receber bem os sacramentos e praticar as obras de misericórdia, ganhará a mais estupenda de todas as loterias: a glória eterna do céu”.
O homem compreendeu e, em vez de ir comprar o bilhete, foi ao asilo para levar uma esmola.

Fonte: Tradição em foco

terça-feira, 27 de março de 2012

Meditações Para todos os Dias da Semana - Parte 2/6

TERÇA-FEIRA, A MORTE

— Com a morte, a alma separa-se do corpo, e aban­dona totalmente as coisas deste mundo. Considera portanto, ó cristão, que a tua alma deverá separar-se do corpo; mas não sabes onde se dará esta separação. Não sabes se a morte te assal­tará na tua cama, ou durante o trabalho, ou na rua, ou em outra parte. Ai de ti, se não te manténs sempre preparado. Quem não está hoje preparado para bem morrer, corre grande perigo de morrer mal.

— Embora seja incerto o lugar e incerta a hora de tua morte, é, porém, muito certo que a morte há de vir. Há de chegar um dia no qual, estendido numa cama, assistido por um sacerdote que encomendará tua alma, estarás prestes a passar à eternidade. E logo que a alma expire, o teu corpo será lançado a apodrecer em uma cova. Abre um sepulcro e contempla a que ficou reduzido aquele jovem rico, aquele ambicioso, aque­le soberbo. Agora, o demônio para induzir-te a pecar, procura desviar-te deste pensamento. E que haverás de fazer tu, então, no ponto de te encaminhares para a tua eternidade? Ai de quem se acha em desgraça de Deus naquela hora!

— Considera que do instante da morte depende a tua eterna salvação ou a eterna perdição. Nas proximidades da morte, ao avizinhar-se o momento de teu último suspiro, à luz da vela que acenderem no momento de tua agonia, quantas coisas se hão de ver! Oh, grande e terrível momento, do qual depende uma eternidade de glória ou de tormentos! uma feli­cidade sem fim ou um eterno sofrer!

E agora, põe-te na presença de teu Deus e dize-lhe de coração: Meu Deus, desde este momento eu me converto a Vós; amo-Vos, e proponho amar-Vos e servir-Vos até a morte. Virgem Santíssima, minha Mãe, ajudai-me naquele terrível momento. Jesus, Maria e José, expire em paz entre vós a minha alma.

A Modéstia no dormir



Por Luciano Beckman.

Caros leitores, Salve Maria!

Nunca é demais examinar a modéstia em todas as situações. Socialmente ou não, devemos respeitá-la, pois é a nossa guia de segurança com a castidade e contra a soberba. Ontem, conversando com um rapaz sobre bons escritos espirituais, ele me contou um caso muitíssimo interessante que ai de mim se não passa-lo adiante!

Santa Ângela uma vez recebera a visita da Santíssima Virgem que, durante esta mesma madrugada, fora esta boa Mãe fazer a diária visita nas celas das ursulinas a qual, esta Grande Senhora não pode visitar a uma das celas pois uma das freiras de Santa Ângela estava dormindo imodestamente. Sendo assim, passando adiante desconcertada sem sequer visitá-la, foi até Santa Ângela em aparição para lhe dizer do acontecido.

Veja meus caros irmãos, quão danoso à alma é permanecer imodesto, visto que o céu nos acompanha diariamente e principalmente, os olhos da tão casta Virgem do Céu e Mãe nossa. Mas dirão alguns: "Então terei de tomar até banho de roupa?" Houve época que isto foi louvável, mas não se dura num banho o tempo que se dorme sobre o leito. Portanto, é prudente não demorar no banho e como um dia aprendi, tome seu banho rezando a 'Ave-Maria' para não ser tentado na castidade.
Portanto, devemos sempre nos vestir modestamente seja para começar o dia ou para findá-lo.
Espero que isto tenha sido do agrado de todos. Que a modéstia seja sempre preservada,

Assim seja.

O Padrão Católico de Vestimenta - Para o homem






Por Pe. Peter Scott
(Traduzido por Andrea Patricia)

A modéstia é uma virtude moral, e uma parte da virtude da temperança, pelo qual uma pessoa traz moderação para suas ações externas e para dentro (na medida em que pode ser refletida por certos sinais exteriores), a fim de mantê-las sob o controle da razão correta (Summa Theologica, IIa IIae Q.160, a.2). São Tomás de Aquino enumera quatro tipos de modéstia em matéria comum, que são obrigatórias para todos:

* A primeira é o movimento da mente em direção a alguma excelência, e este é moderado pela humildade.
* A segunda é o desejo de coisas relativas ao conhecimento, e esta é moderada pelo estudo cauteloso que se opõe à curiosidade.
* A terceira refere-se a movimentos corporais e ações (incluindo palavras), que se requer que sejam feitas de forma conveniente e honestamente, se agirmos a sério ou numa brincadeira [em jogos].
* A quarta se refere aparência exterior, por exemplo, vestir e coisas do gênero. (Ibid.)

Se todos os quatro aspectos da modéstia são igualmente importantes, não resta nenhuma dúvida de que os dois últimos, que não têm nome especial, são mais comumente entendidos pelo termo modéstia. Além disso, é mais especialmente o último que é referido por modéstia, por causa da desordem da natureza humana caída, que é mais facilmente derrotada pela atração desordenada para o mais baixo tipo de imodéstia.

Claramente os homens têm um direito igual ao das mulheres de evitar palavras ou ações provocativas e evitar qualquer tipo de vestuário que possa mostrar a sua pessoa ou seu corpo, levando à vaidade. Como as mulheres, eles são proibidos, portanto, de mostrar seus corpos em público de uma forma indecorosa, ou de uma forma que pode produzir uma atração desordenada no sexo oposto. Os homens devem sempre vestir uma camisa para praticar exercícios, e shorts* não devem ser usados em público, mas só serão utilizados para o esporte, e não devem ser muito curtos ou muito apertados.Da mesma forma, os homens devem vestir-se modestamente para a Missa de Domingo, com camisa, gravata, blazer, calça, tudo isso que simboliza um senso de responsabilidade do homem, conduzindo sua família para a auto-disciplina ordenada do vestuário modesto, e cumprindo com o seu dever na verdadeira adoração a Deus.

No entanto, existem duas diferenças importantes na aplicação destes princípios aos homens, em comparação com as mulheres, e que são a razão pela qual os documentos da Igreja sobre o assunto referem-se a modéstia em mulheres. A primeira é que a natureza de uma mulher faz dela muito mais propensa à tentação da vaidade, para mostrar o seu corpo, e a natureza de um homem faz dele muito mais tentado por ver isto. Conseqüentemente, as infrações mais graves e mais perigosas contra o pudor, entendido em seu quarto e mais restrito sentido, ou seja, contra a pureza, são feitas por mulheres.

É por esta razão que a Igreja tem sido muito mais inflexível sobre o vestuário da mulher, como na seguinte citação de um decreto da Sagrada Congregação do Concílio de 18 de janeiro de 1930:

Sua Santidade, Pio XI, nunca deixou de inculcar na palavra e na escrita o preceito de São Paulo (I Tim 2, 5-10) “As mulheres também em vestuário decente; adornem-se com modéstia e sobriedade”, "como mulheres que fazem profissão de piedade com boas obras.”

E em muitas ocasiões, o mesmo Sumo Pontífice reprovou e condenou vigorosamente a imodéstia no vestir que hoje está em voga em todos os lugares, até mesmo entre as mulheres e meninas que são católicas, uma prática que fere gravemente a virtude suprema e a glória das mulheres e, além disso infelizmente leva não apenas a sua desvantagem temporal, mas, o que é pior, a sua ruína eterna e a de outras almas.

Não é de admirar, então, que os Bispos e outros Ordinários dos lugares, quando tornam-se ministros de Cristo, têm em sua diocese respectivas resistido por unanimidade em todos os sentidos a estas maneiras licenciosas e desavergonhadas e com isso têm alegremente e corajosamente suportado o escárnio e o ridículo, por vezes, dirigidos a eles pelos mal dispostos…

Há uma segunda razão pela qual a modéstia no vestir é especialmente aplicável às mulheres acima dos homens. É que há uma forma especial de imodéstia que é característica de nossos tempos modernos, e é a imodéstia das mulheres vestindo roupas masculinas, principalmente calças e shorts. Isso prejudica a percepção psicológica que uma mulher tem de si mesma e de sua diferença do homem, que por sua vez a desfeminiza, corrói a relação natural entre homens e mulheres, remove a defesa da excessiva familiaridade, e, eventualmente, degrada as relações entre homens e mulheres para o nível da sensualidade. É esta forma de imodéstia que é, em última análise, de longe, a mais destrutiva das relações humanas e da virtude da pureza.

Se, portanto, há certamente um padrão de modéstia para os homens, deve sempre ser lembrado que a batalha pela modéstia das mulheres é tanto mais crucial quanto mais difícil de vencer.

Homens de verdade, no entanto, ensinam e lideram pelo exemplo. Se eles têm dificuldade ao insistir na modéstia de suas esposas ou filhas, eles vão se lembrar de praticar com muita precisão todos os quatro tipos de modéstia mencionadas acima, e as suas admoestações darão frutos.

Fonte: Maria Rosa e Modéstia Masculina

segunda-feira, 26 de março de 2012

Meditação Para Todos os Dias da Semana - Parte 1/6

MEDITAÇÕES PARA TODOS OS DIAS DA SEMANA

ATOS PREPARATÓRIOS A MEDITAÇÃO

Reaviva, ó minha alma, tua fé: põe-te na presença de Deus e adora-o profundamente.
Humilha-te aos pés de Deus e pede-lhe sinceramente perdão.
Solicita a luz de Deus por amor de Jesus Cristo; re­comenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave Maria e Glória ao Padre.
Lê a meditação bem devagar. Após todos os pontos medita na máxima eterna. Terminada a consideração, toma o propósito de remover tal e tal vício.

DOMINGO FIM DO HOMEM


—           Considera, ó alma, como Deus, criando-te à sua imagem, deu-te esta vida que possues. Sem merecimento algum de tua parte, recebeu-te por filho adotivo, amou-te mais que um pai e criou-te a fim de que nesta vida o amasses e o servisses, para gozá-lo depois no Paraíso. Não nasceste, pois, nem deves viver para te satisfazeres com vãos deleites desde mundo, mas unicamente para glorificares teu Criador.
— Considera quais terríveis remorsos, pois, sentirás na hora da morte, se agora não te aplicares em servir a Deus. Que pesar quando, no termo da vida, perceberes que tens pas­sado os dias em trabalhos e sofrimentos fora do teu fim e que não resta naqueles momentos senão um nada de todas as rique­zas, honras, glórias e prazeres! Oh, dia doloroso esse, para quem não serviu e não amou a Deus!
— Considera, portanto, a importância de alcançares teu grande fim. Seu valor inestimável está acima de tudo o mais; porque, se o conseguires, estarás salvo; se, ao invés, não o atingires, perderás alma e corpo. Paraíso e Deus, e serás eternamente um réprobo. Portanto, este é o negócio dos negócios: servir a Deus e salvar-se.
Considera ainda, como este negócio eterno é de todos o mais descurado. Em tudo pensamos, na salvação nunca. Para tudo há tempo, menos para a alma!
Que loucura rematada preocupar-se demasiadamente com o que há de acabar tão depressa, e quase nada pensar no que jamais terá fim!


SEGUNDA-FEIRA O PECADO MORTAL


— Considera, minha alma, o que fazes quando come­tes um pecado mortal: dás as costas Àquele Deus que te criou e te cumulou de benefícios; desprezas a Sua graça e a sua amiza­de. Quem peca diz com os fatos a Nosso Senhor: “Non serviam: apartai-Vos, de mim, pois não quero obedecer-Vos não vos quero servir, não vos quero reconhecer por meu Senhor. O meu Deus é aquele prazer, aquela vingança, aquele ódio, aquela conversação obscena”. Pode-se imaginar ingratidão mais monstruosa do que esta? Entretanto, minha alma, tudo isto fizeste, quando ofendeste ao teu Senhor.
— Maior se torna esta ingratidão, refletindo que, para pecar, te serviste das mesma coisas que Deus te deu. Ouvidos, olhos, boca, língua, mãos, pés, são todos dons de Deus; e tu deles te serviste para ofendê-lo! Ah, ouve pois o que te diz o Senhor: “Filho, eu te criei do nada: dei-te tudo o que tens, fiz-te nascer na verdadeira Religião. E tu, esquecido de tantos benefícios, te atreveste a ofender-me?” Quem não se sentirá tomado de profundo pesar por ter feito tamanha injúria a um Deus tão bom, tão benfazejo para conosco, suas criaturas?
- Considera ainda, ó alma cristã, que o pecado faz perder a Deus e a paz do coração: faz perder todos os méritos e toma-nos incapazes de merecer para a vida eterna. Ah! meu Deus, arrependo-me de todo o coração. Meu Jesus, eu vos que­ro amar; dai-me força. Virgem Santíssima, Mãe de meu Jesus, ajudai-me...


sábado, 24 de março de 2012

A Subida do Calvário - V. O VÉU DOS OLHOS E DA CABEÇA

 
PRIMEIRA PARTE
OS INSTRUMENTOS DE SUPLÍCIO

V - O VÉU DOS OLHOS E DA CABEÇA

 
Entretanto, duas coisas exasperam aqueles energúmenos: o olhar por vezes fixo, cheio de lágrimas, sempre tão doce de Jesus, e o silêncio dEste.

Esse olhar inquieta-os e perturba-os. Quereriam uma queixa, ao menos um grito de dor, para mostrar que bateram certo.

Então um deles, sem dúvida mais inventivo, propõe vendar os olhos perturbadores e fazer-Lhe uma troça do talento de profecia.

Recruta-se toda a gente, a atração vele a pena.

Portanto, entre duas cusparadas – pois está escrito: Não cessaram de me cuspir à Face –, entre duas bofetadas, dois lances de dados, dois púcaros de vinho, vão brincar de profeta:

Vamos ver, Cristo, Messias, Filho de Deus, grande Profeta... quem te bate agora?” E uma bofetada estrepitosa abate-se-Lhe sobre o rosto. “Advinha! E aquele lá, quem é?” E por detrás outra bofetada envolve aquela Face, que queda imóvel como um rochedo (Is 50, 7). “Vamos, quem é? Como se chama? Que idade tem? De que lugar é? Fala homem!”

Se o véu cobria todo o rosto, soerguem-no às vezes para poder cuspir mais à vontade, depois abaixam-no novamente para não sujarem as mãos esbofeteando-O.

Como os olhos estão escondidos e a cabeça permanece imóvel, redobram-se à porfia pancadas, cusparadas e blasfêmias, até ao cansaço e ao enjôo.

Existem dois quadros dessa cena trágica naquela noite dolorosa.

Um, em que toda a Majestade Divina é representada no meio daquela atmosfera de pancadas e daquela tempestade de escarros e ultrajes. Outro, em que toda a malícia humana se ostenta na sua hedionda crueza.

O primeiro é um afresco do Beato Fra Angélico, no convento de São Marcos, em Florença.

O Cristo está sentado como um príncipe no seu trono, as dobras da veste pendem-Lhe igualmente de cada lado; a postura é tranqüila: toda a serenidade dos seres superiores. Com uma das mãos segura um cetro de cana, com a outra o globo do mundo: Ele é sempre o Rei do mundo; e em torno dEle há uma cabeça grosseira que saúda ironicamente, uma boca desaforada que cospe, mãos que se agitam para esbofetear, um punho cerrado que se adianta, outro que empunha uma vara para bater. (figura acima)

Calmo, imóvel, Jesus recebe um após outro todos esses ultrajes. Tem os olhos vendados: através do pano percebe-se-Lhe a pálpebra resignada e caída. A boca é triste: tal reflexo de majestade emana porém dAquele ser desprezado, que a gente cai de joelhos e O adora.

Fitemos um instante essa cabeça tão meiga, de olhos vendados. Há nesta venda a intenção dos homens e a de Deus.

A intenção dos homens era um medo e um ludíbrio. Receavam, como dizíamos, escarrando naquele rosto encontrar um dos olhares da Vítima, de tal sorte o olhar do Mestre permanece o olhar de Deus.

E um ludíbrio! Jesus já está amarrado, não tem mais a liberdade das mãos, porém tinha a dos olhares; é preciso suprimir-lha; não se tem mais que uma coisa que se atira de um lado para o outro, que se recambia, com que se brinca, Ele não vê!

A intenção de Deus é mais alta. Jesus cerra os olhos e parece fechar-se no sono e no silêncio de dentro, para mostrar sem dúvida que uma alma atada pelo amor da Santíssima Vontade de Deus deve relegar-se para o interior, viver nesse interior, sem fazer grande conta do que se passa fora.

Mas também para nos lembrar que, se Ele parece dormir, é só por um tempo; sabemos que Ele aguarda nesse silêncio profundo a hora do Seu despertar: “Eu terei o meu dia, terei a minha hora, para mim e para todos os meus eleitos, opressos em aparência por esse silêncio do alto”.

Dizia Ele havia alguns instantes: “Vereis o Filho do Homem, hoje esbofeteado pelos criados e cuspido pelos juízes, vê-lo-eis, vós que O espancais, vê-lo-eis resplandecente de majestade à direita de Deus, Deus Ele próprio! Dies irae, dies illa, calamitatis et miseriae (Sof 1, 15)”.

Nesse dia em que Eu agir”, acrescenta pelo Seu profeta – logo atualmente parece não agir; “Nesse dia em que Eu concluir as minhas obras” – logo, não estão acabadas; “nesse dia em que Eu desfraldar a minha misericórdia e a minha justiça” – logo, elas estão em suspense ou apenas entremostradas; “nesse dia os bons serão a minha posse” – estar nas mãos de Deus, onde melhor refúgio?...

E os perseguidores, os algozes, os ímpios... Onde aparecerão? Devorá-los-ei como o fogo a palha seca e leve.

Então vos volvereis, pecadores: vereis de longe a minha felicidade e a de todos os meus – que cruel e longínquo olhar! E tarde demais compreendereis que diferença há entre o justo e o ímpio, inter servientem Deo et non servientem (Mlq 3, 17).

Eu aguardo, meu Deus, e creio que hei de ver um dia o esplendor dos Vossos bens, na terra onde já não se morre.

Credo videre bona Domini in terra viventium (Sl 26, 18).

O segundo quadro, onde se ostenta toda a crueldade dos homens, realismo pungente, é uma cena de Poussin.

Numa sala baixa, alumiada por tochas ou candeias, os soldados bebem, riem, jogam ou cantam. O ódio e a impureza tem o mesmo rito: traço violento, bestial, que desfigura o homem, destruindo num instante o que a Face Divina nele deixara de Seu cunho.

A um canto, Jesus está sentado, de mãos atadas por trás das costas: postado de perfil, vê-se-Lhe o corpo que se inclina penosamente para a frente. A cabeça inteira está coberta de um pano, um molambo sujo, qual se pode encontrar no meio daquela soldadesca. Alguns soldados e criados se divertem à custa da Vítima. Outros, cansados, puseram-se ao jogo.

Acabam sem dúvida de espancar o Mestre de uma maneira bem interessante, ou a palavra que Lhe lançaram deve ter sido mais pesada, porque os risos são mais grosseiros.

Por sob o véu de dobras pendentes e na atitude do Mestre, adivinha-se a dor, a resignação, o constrangimento íntimo e profundo do coração. As lágrimas devem rolar-Lhe dos olhos.

Ó cabeça vendada de Jesus! Ó zombarias, ó irreverências, ó covardes irrisões, vós consolais os justos oprimidos!

Por trás desse véu, Jesus conhece tudo, vê tudo e julga tudo.

Oculi Domini super justos (Sl 33, 31), os olhos do Senhor seguem os eleitos, e os ouvidos se lhes inclinam abertos ao menor suspiro.

Senhor, por trás do véu lembrai-vos de mim, para minha felicidade. Assim seja.

Memento mei, Deus meus, in bonum. Amen (Esdr 13, 31).

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(“A subida do Calvário”, do Pe. Louis Perroy, SJ)


A Subida do Calvário - IV. OS ESCARROS E AS PANCADAS

PRIMEIRA PARTE
OS INSTRUMENTOS DE SUPLÍCIO

IV -OS ESCARROS E AS PANCADAS


Não há expressão mais viva do asco do que o escarro à face de um homem.

Vai isto ainda mais longe do que a bofetada, parece que se apanha tudo quanto se tem no fundo de si de cólera, de reprovação, de sumo desprezo, para lançá-lo com a própria saliva ao rosto do inimigo.
Mal foi Jesus em casa de Caifás reconhecido réu de blasfêmia, que toda barreira se rompeu em torno dEle.

O Sumo Sacerdote, deixando bruscamente o estrado, rasgou violentamente a veste. Todos os outros juízes sentados em semi-círculo à volta dEle, pularam dos seus assentos. Os dois secretários, ocupados nas duas extremidades em recolher os depoimentos pró e contra o acusado, jogaram fora as suas tabuinhas.

Uma palavra estrondeou como um clamor, pôde-se ouvi-la do átrio: “blasfemou, é digno de morte”.

É um sinal. Alguns dos que estão na sala, juízes sem dúvida, aproximam-se-Lhe logo e Lhe cospem no rosto.

Vendo isto, os criados, os oficiais subalternos já se não contêm: cada qual quer fazer melhor.

De ordinário havia na própria sala do julgamento criados e soldados armados de látegos e de cordas para baterem o acusado ao primeiro sinal. É esta turba que se desenfreia. Breve já não bastam os escarros: esbofeteiam-nO; a bofetada é ainda nobre demais, dão-Lhe socos.

Podiam ser três ou quatro horas da madrugada: empurram Jesus, sempre atado, para algum canto; é Ele recebido por aquela criadagem, passa como um objeto desprezível e desprezado, batido pela frente, batido por detrás, batido ao passar.

Entrementes, os sinedritas se retiraram, com os cumprimentos de praxe; tornar-se-ão a encontrar nos alvores do dia para um novo conselho.

Jesus nesse ínterim é entregue sozinho aos soldados. Sabe-se o que seja uma soldadesca grosseira, de palavreado e gestos asquerosos, a divertir-se brutalmente, bebendo em excesso e tendo duas horas a passar em face de um condenado de marca, decaído juridicamente de grandeza.

Só a meditação do coração, os olhos do amor podem penetrar esses horrores.

Sabemos nós, com efeito, até onde tenham podido ir ultrajes contra o meigo Salvador?

Há uma emulação de ódios contra Ele.

Examinemos, interroguemos, experimentemo-lo pelos tratos e pelos ultrajes; disse-se Filho de Deus: vamos a ver se as suas palavras são verdadeiras” (Sb 2, 17-18).

Ademais, Ele está sozinho, abandonado, entregue.
Os juízes, com a aparência sempre temível da legalidade, já não estão lá.

Passa Ele por um sacrílego e por um blasfemador; é um condenado pela mais alta autoridade moral: os Sacerdotes.

Se eram judeus os soldados, bastava isto a explicar-lhes e a cobrir-lhes todos os ultrajes.

Se se lhes mesclavam os romanos, obsequiosamente prestados para a conjuntura, bastava ser Ele judeu e vencido: Roma não costumava sensibilizar-se inoportunamente.

E depois, é noite, e os guardas, quaisquer, estão cansados da sua tarefa, provavelmente enervados daquela faxina suplementar que lhes foi imposta. Portanto, agitam-se, gritam, riem, batem a torto e a direito, e babam nEle.

E bateram só na cabeça? Ou até onde levaram a insolência?...

Batiam-no e diziam muitas coisas contra Ele blasfemando”, nota São Lucas. Sem dúvida escarnecem principalmente o Seu título de profeta, a Sua magia, o Seu poder! É este ponto que se comprazem em repisar, porque vêem esse poder abatido!

Parece porém que o olho dos Profetas tenha sido ainda mais dolorosamente impressionado que o do Evangelista.

Jó exclama: “Arremessaram-se sobre mim como por uma brecha aberta... prostraram-me com as ondas da sua violência... Para eles tornei-me como lama, pó cinza!” (Jó 30, 14.19).

Como melhor pintar a opressão e o aniquilamento?

Abandonei meu corpo aos que me batiam, dizia Isaías, não desviei o rosto... quando escarravam em mim... arrancavam-me a barba, e eu deixava!” (Is 50, 6; 13, 5).

“Busquei em redor alguém para me socorrer; não havia ninguém!”

Ó esta solidão no meio dos inimigos!

Sou como o pelicano no meio do deserto... como a coruja numa casa desolada. Vê-lo, estou sozinho” (Sl 110, 7), insiste Ele.

Finalmente, foi dito: “Será saturado de opróbrios”. Cumpre pois que os tenha todos. Aliás, não é a gente alcoolizada que Ele está entregue? “Os que bebiam escarneciam de mim e me ridicularizavam, compondo cantigas contra mim”.

E alhures: “Tornei-me o objeto das suas trovas... e das suas fábulas” (Jó 30, 9). Advinha-se facilmente o que pudessem ser essas trovas improvisadas...

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(“A subida do Calvário”, do Pe. Louis Perroy, SJ.)