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terça-feira, 15 de novembro de 2016

S. João Maria Vianney. Sermão sobre a Pureza.





“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”. (Mt.5,8)

Nós lemos no Evangelho, que Jesus Cristo, querendo ensinar ao povo que vinha em massa, aprender dEle o que era preciso fazer para ter a vida eterna, senta-se e, abrindo a boca, lhes diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” Se nós tivéssemos um grande desejo de ver a Deus, meus irmãos, só estas palavras não seriam acaso suficientes para nos fazer compreender quanto a pureza nos torna agradáveis a Ele, e quanto ele nos é necessária? Pois, segundo Jesus Cristo, sem ela, nós não o veremos jamais! “Bem-aventurados, nos diz Jesus Cristo, os puros de coração, porque eles verão o bom Deus”. Pode-se acaso esperar maior recompensa que a que Jesus Cristo liga a esta bela e amável virtude, a saber, a posse das Três Pessoas da Santíssima Trindade, por toda a eternidade? ... S. Paulo, que conhecia bem o preço desta virtude, escrevendo aos Coríntios, lhes diz: “Glorificai a Deus, pois vós o levais em vossos corpos; e sede fiéis em conservá-los em grande pureza. Lembrai-vos bem, meus filhos, de que vossos membros são membros de Jesus Cristo, e que vossos corações são templos do Espírito Santo. Tomai cuidado de não os manchar pelo pecado, que é o adultério, a fornicação, e tudo aquilo que pode desonrar vossos corpo e vosso coração aos olhos de Deus, que a pureza mesma”. (I Cor, 6, 15-20) Oh! Meus irmãos, como esta virtude é bela e preciosa, não somente aos olhos dos homens e dos anjos, mas aos olhos do próprio Deus. Ele faz tanto caso dela que não cessa de a louvar naqueles que são tão felizes de a conservar. Também, esta virtude inestimável constitui o mais belo adorno da Igreja, e, por conseguinte, deveria ser a mais querida dos cristãos. Nós, meus irmãos, que no Santo Batismo fomos rociados com o Sangue adorável de Jesus Cristo, a pureza mesma; neste Sangue adorável que gerou tantas virgens de um e outro sexo; nós, a quem Jesus Cristo fez participantes de sua pureza, tornando-nos seus membros, seu templo... Mas, ai! Meus irmãos, neste infeliz século de corrupção em que vivemos, não se conhece mais esta virtude, esta celeste virtude que nos torna semelhantes aos anjos!... Sim, meus irmãos, a pureza é uma virtude que nos é necessária a todos, pois que, sem ela, ninguém verá o Bom Deus. Eu queria fazer-vos conceber desta virtude uma idéia digna de Deus, e vos mostrar, 1º. quanto ela nos torna agradáveis a Seus olhos, dando um novo grau de santidade a todas as nossas ações, e 2º. o que nós devemos fazer para conservá-la.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Se Ele não tivesse vindo - Gustavo Corção





“Se Eu não tivesse vindo e não lhes tivesse dirigido a palavra, eles não teriam pecado; mas agora não há desculpas para o pecado deles” (Jo. XV, 2).


Estas palavras terríveis ditas por Jesus na noite da Ceia, devem ser lidas e meditadas com especial atenção nos atuais tempos litúrgicos, para bem apreendermos o nexo entre a Natividade e a Paixão, e sobretudo para aprendermos um vislumbre das dimensões trágicas da vinda de Jesus para a nossa Salvação. Costumamos pensar que Jesus recém-nascido trouxe ao mundo, para nos salvar, uma atmosfera com perfumes dos céus e cânticos dos anjos; costumamos associar a idéia de Natal à de um socorro da divina misericórdia, pousado no regaço da Virgem Santíssima e todo feito de delicadezas e fragrâncias; ora, é Ele mesmo, no momento supremo em que nos ensinará na última estação o segredo de Sua vinda. E diz-nos estas palavras das quais inferimos que, se não se pode dizer sem absurdo e blasfêmias que Ele nos trouxe o pecado, pode-se entretanto dizer que, a este mundo já marcado pelo pecado mal definido, cinzento, misturado ao bem de um modo desordenado, Jesus trouxe a Ordem que discrimina mal e bem, e trouxe aos homens, com preço e condição da Salvação, um sentimento mais agudo, uma responsabilidade abismal. Essa iluminação moral, que nos mostra que todo mal é uma ofensa a Deus, já estava anunciada nos clamores proféticos, mas o mundo inteiro, na confusão da cinzenta mistura muito vagamente sentia a Vontade de Deus contrariada. De uma maneira cósmica, nas catástrofes, nos incêndios e nas inundações, tinham uma vaga intuição de que os elementos irritados traduziam a irritação de uma alta instância. Mas esse vago panteísmo mais eclipsava do que elucidava o transcendental contraste do bem e do mal, e principalmente a noção de pecado pessoal cometido contra um Deus pessoal.

“Se Eu não tivesse vindo...” diz-nos Jesus na hora da Paixão não se teria realizado o plano eterno de Deus: o de oferecer aos homens um alvo, um blanco, contra o qual, nitidamente, com inacreditável ferocidade se concentrasse a maldade difusa para que o cinzento desse lugar ao claro-escuro, e o bem fosse chamado bem, e o mal, mal. “Se o mundo vos odeia, sabei que a Mim Me odiou primeiro”. E também: “Aquele que me odeia, odeia também meu Pai”.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A Importância do Jejum na Quaresma


Pratica-se o jejum para ajudar a resistir as tentações


1. Primeiro, para reprimir as concupiscências da carne. Donde o dizer o Apóstolo (2 Cor 6, 5): «Nos jejuns, na necessidade», porque o jejum conserva a castidade. Pois, como diz Jerônimo, «sem Ceres e Baco Vênus esfria», i. é, pela abstinência da comida e da bebida a luxúria se amortece.

2. Segundo, praticamos o jejum para mais livremente se nos elevar a alma na contemplação das sublimes verdades. Por isso, refere a Escritura que Daniel (Dn 10), depois de ter jejuado três semanas, recebeu de Deus a revelação.

3. Terceiro, para satisfazer pelos nossos pecados. Por isso, diz a Escritura (Jl 2, 12): «Convertei-vos a mim de todo o vosso coração em jejum e em lágrimas e em gemido». E é o que ensina Agostinho num sermão: «O jejum purifica a alma, eleva os sentidos, sujeita a carne ao espírito, faz-nos contrito e humilhado o coração, dissipa o nevoeiro da concupiscência, extingue os odores da sensualidade, acende a verdadeira luz da castidade».

O jejum é objeto de preceito. Pois o jejum é útil para delir e coibir as nossas culpas e elevar-nos a mente para as coisas espirituais. Ora, cada um está obrigado, pela razão natural, a jejuar tanto quanto lhe for necessário para conseguir tal fim. Por onde, o jejum, em geral, constitui um preceito da lei natural. Mas, a determinação do tempo e do modo de jejuar, conforme à conveniência e à utilidade do povo Cristão, constitui um preceito de direito positivo, instituído pelos superiores eclesiásticos. E tal é o jejum da Igreja, diferente do jejum natural.

Os tempos de jejum estão convenientemente determinados pela Igreja. O jejum é ordenado por dois motivos: para delir a culpa e para nos elevar a mente às coisas espirituais. Por isso, os jejuns foram ordenados especialmente naqueles tempos em que, sobretudo, devemos os fiéis nos purificar dos pecados e elevar a mente a Deus pela devoção. O que sobretudo se dá antes da solenidade Pascal, quando as culpas são delidas pelo batismo, celebrado solenemente na vigília da Páscoa, em memória da sepultura do Senhor; pois, pelo batismo, somos sepultados com Cristo para «morrer ao pecado», na frase do Apóstolo (Rm 6, 4). E também na festa Pascal devemos, sobretudo, pela devoção, elevar a mente à glória da eternidade, a que Cristo deu começo pela sua ressurreição. Por isso, imediatamente antes da solenidade Pascal, a Igreja nos manda jejuar; e pela mesma razão, nas vigílias das principais festividades, quando devemos nos preparar devotamente para celebrar as festas que se vão celebrar.

Jejum por Padre Júlio Maria




A Igreja, ciosa de seguir em tudo as prescrições e os conselhos do Divino Mestre, prescreveu o jejum e a abstinência, como penitência, em certos dias do ano.

O jejum consiste em privar-se de uma parte dos alimentos habitualmente usados, e refere-se à quantidade do mesmo alimento.

A abstinência consiste em privar-se de carne em certos dias, por espírito de penitência, e refere-se, pois, à qualidade do alimento.

Jesus Cristo prescreve o jejum sem indicar o dia deste jejum; aconselha esta prática como meio de alcançar o perdão das faltas, de expiá-las e de domar as paixões da carne. Tudo isto está claramente indicado na Bíblia.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Graus de Perfeição - São João da Cruz





1. Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.

2. Procurar andar sempre na presença de Deus, real, imaginária ou unitiva, segundo se coadune com as obras que está fazendo.

3. Nada fazer nem dizer coisa de importância, que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.

4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.

5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.

6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.

7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que se lhe escapa sem amar a Deus.

8. Em todas as coisas, altas e baixas, tenha a Deus por fim, pois de outro modo não crescerá em perfeição e mérito.

9. Nunca falte à oração e quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo persevere nela, por que Deus quer muitas vezes ver o que há na sua alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.

10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.

11. Nunca se intrometa naquilo de que não te encarregaram, nem discuta sobre alguma coisa, ainda que esteja com a razão. E, no que lhe for ordenado, se lhe derem a unha (como se costuma dizer) não queira tomar também a mão, pois alguns, nisto se enganam, imaginando que têm obrigação de fazer aquilo que, bem examinado, nada os obriga.

12. Das coisas alheias não se ocupe, sejam elas boas ou más, porque além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.

13. Procure sempre confessar-se cm profundo conhecimento de sua miséria e com sinceridade cristalina.

14. Ainda que as coisas de sua obrigação e ofício se lhe tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanime, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (Cf. Sl 93,20), daí a pouco lhe fará sentir o bem e o lucro.

15. Lembre-se sempre de que tudo quanto passar por si, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem num se ensoberbeça nem no outro desanime.

16. Recorde-se sempre de que não veio senão para ser santo e assim não consinta que reine em sua alma algo que não leve à santidade.

17. Seja sempre mais amigo de dar prazer aos outros do que a si mesmo e, assim, com relação ao próximo, não terá inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isso se refere ao que for segundo a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplácito dos homens.


S. João da Cruz, Pequenos Tratados Espirituais


As Excelências da Mortificação - Parte III (Última)




Por Santo Afonso Maria de Ligório


Da mortificação externa

§ III. Prática da mortificação externa

Aquelas penitências extraordinárias podem ser praticadas por poucos cristãos, chamados por Deus para um tal modo de vida. Mas todos nós devemos manter o nosso corpo em rigoroso regime, porque somos pecadores. E, para isso, cada um de nós tem os meios. Podemos praticar a mortificação externa no uso de todos os nossos sentidos, em todas as nossos ações, em todos os passos e condições de nossa vida.

Para isso, basta abraçar aquilo que é difícil à nossa natureza. Por exemplo, de manhã, levantar-se a uma hora fixa, entregando-se com pontualidade à oração; assistir o Santo Sacrifício da Missa; renunciar a um prazer proibido ou a uma leitura perigosa; obedecer prontamente às ordens dos pais ou superiores; cumprir principalmente com fidelidade os deveres e os trabalhos cotidianos; suportar com paciência tribulações e sofrimentos: são, essas coisas todas, mortificações que, praticadas com pura intenção, são muito agradáveis a Deus e mui meritórias para o Céu.

Falaremos aqui, alma cristã, de várias mortificações pequenas aque te podes sujeitar sem perigo para tua saúde e com sumo proveito para tua alma.

1. Mortificação da vista

As primeiras setas que ferem uma alma casta e, às vezes, a matam, entram pelos olhos. Por meio dos olhos entram no espírito os maus pensamentos. “Não se deseja o que não se vê”, diz São Francisco de Sales. Não leias, por isso, nunca, livros proibidos ou perigosos. Renuncia, de vez em quando, ao prazer de ver coisas extraordinárias, ainda que sejam inteiramente decorosas.

Segundo São Jerônimo (Ep. ad Fur.), é o rosto o espelho da alma e os olhos castos dão testemunho da castidade do coração.

2. Mortificação do ouvido

Evita ouvir conversas inconvenientes ou difamações, e mesmo conversas mundanas sem necessidade, pois estas enchem nossa cabeça com uma multidão de pensamentos e imaginações que nos distraem e perturbam mais tarde nas nossas orações e exercícios de piedade. Se assistires a conversas inúteis, procura quanto possível dar-lhes outra direção, propondo, por exemplo, uma importante questão. Se isso não der resultado, procura retirar-te ou, ao menos, cala-te e baixa os olhos para mostrar que não achas gosto em tais conversas.

3. Mortificação do olfato

Renuncia a todos os vãos perfumes, sejam quais forem; suporta, antes, de boa vontade, o mau cheiro que reina em geral nos quartos dos doentes. Imita o exemplo dos Santos que, animados pelo espírito de caridade e mortificação, sentiam tanto gosto no ar corrompido das enfermarias, como se estivessem em jardins de flores odoríferas.

4. Mortificação do tato

Quanto ao tato, esforça-te por evitar qualquer falta, pois cada falta neste sentido contêm um perigo de morte eterna para a alma. Emprega toda modéstia e cuidado não só a respeito dos outro, mas também de ti mesmo, para conservar a bela jóia da pureza. Procura, quanto possível, refrear pela mortificação esse sentido.

São João da Cruz dizia que, se alguém ensinasse que a mortificação do tato não é necessária, não se lhe deveria dar crédito, ainda que operasse milagres. Jesus Cristo mesmo disse uma vez à Madre Maria de Jesus, carmelita: “O mundo precipitou-se no abismo por causa do prazer, e não da mortificação”.

Se não temos coragem de crucificar a nossa carne com penitências, ao menos esforcemo-nos por suportar com paciência as pequenas contrariedades que Deus mesmo nos envia, como doenças, calor, frio, etc. Digamos com S. Bernardo (Medit., c. 15): “O desprezador de Deus deve ser esmagado; ele merece a morte: deve ser crucificado”. Sim, meu Deus, é justo que quem Vos desprezou seja castigado; eu mereço a morte eterna; seja eu, pois, crucificado neste mundo, para que não sofra eternamente no outro.

5. Mortificação do paladar

Quanto à mortificação do paladar, será bom desenvolver mais a fundo a necessidade e a maneira de nos mortificarmos nesse sentido.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

As Excelências da Mortificação - Parte II




Por Santo Afonso Maria de Ligório


Da mortificação externa

§ II. Efeitos salutares da mortificação externa

A mortificação externa é de suma utilidade para o espírito:
1. Antes de tudo, ela nos desprende dos prazeres sensuais, que ferem e, até, muitas vezes, matam a alma. “As chagas do amor divino impedem que as chagas da carne nos atormentem”, diz Orígenes.

2. Pela mortificação expiamos os castigos temporais devidos a nossos pecados. Se depois de uma dolorosa confissão nos é tirada a culpa do pecado, não deixamos por isso de ficar sujeitos aos castigos temporais. Se não os expiarmos durante a vida presente, teremos de recuperar o que perdemos no Purgatório. Mas aí os castigos são imensamente maiores. “Os que não fizeram penitência por seus pecados se verão em grandíssima tribulação” (Apoc 2, 22).

Santo Antônio narra que o Anjo da Guarda deu a escolher a um doente entre o ficar três dias no Purgatório e o suportar ainda dois anos a sua doença. O doente escolheu os três dias de Purgatório; apenas, porém, se escoara uma hora, e já se queixava ao Anjo que, em vez de deixá-lo por alguns dias nessas penas, já as suportava durante tantos anos. Então respondeu-lhe o Anjo: Que dizes? Teu corpo se acha ainda quente em teu leito mortuário e já falas de anos?

Se, pois, tiveres de padecer alguma coisa, alma cristã, dize a ti mesma: Isso me deve servir de Purgatório. A alma, e não o corpo, deve sair vencedora!

3. A mortificação eleva a alma até Deus.
Segundo São Francisco de Sales, nunca a alma poderá chegar até Deus sem a mortificação e sujeição da carne. Sobre esse ponto Santa Teresa d’Ávila (Fund., c. 5) nos deixou várias e belas sentenças: “É um grande engano crer que Deus admite a Seu trato familiar homens efeminados”. “Vida voluptuosa e oração não se harmonizam”. “Almas que verdadeiramente amam a Deus, não aspiram a descanso corporal”.

4. Pela mortificação alcançamos uma grande glória no Céu.
“Se os combatentes se privam de todas as coisas que minoram suas forças, diz o Apóstolo (I Cor 9, 25), e que poderiam impedi-los de alcançar uma coroa corruptível, quanto mais nos devemos nós mortificar para conseguirmos uma coroa inapreciável e eterna”. São João viu todos os Bem-Aventurados com “palmas nas mãos” (Apoc 7, 9). [E a palma é o símbolo tradicional do martírio.] Daí devemos concluir que todos nós, para nos salvar, devemos ser mártires, quer o sejamos pela espada dos tiranos ou pela mortificação.

Devemos, entretanto, considerar que “as penalidades da presente vida, não têm proporção alguma com a glória vindoura que se manifestará em nós”. O que aqui é para nós humana tribulação, momentânea e ligeira, produz em nós, de um modo maravilhoso no mais alto grau, um peso eterno de glória (2 Cor 4, 17).

Avivemos, portanto, nossa fé! Curta é a nossa peregrinação aqui na terra: nossa morada vindoura é além, onde aquele que na vida mais se mortificou receberá uma glória e alegria maior. São Pedro (I Ped 2, 5) diz que os Bem-Aventurados são as pedras vivas com as quais é edificada a Jerusalém Celeste. Mas, como canta a Igreja (In dedic. eccl.), essas pedras devem primeiramente ser trabalhadas com o cinzel da mortificação. Tenhamos sempre em vista esse pensamento e se nos tornará fácil todo o esforço e trabalho.

Se alguém soubesse que ele receberia todos os terrenos que ele percorresse num dia, quão fácil e agradável não lhe pareceria o trabalho dessa caminhada!

Conta-se que um monge planejava trocar sua cela com uma outra que se achava mais próxima da fonte d’água. Ao ir, porém, um dia, buscar água, ouviu que atrás de si contavam seus passos; virando-se para trás, viu um jovem que lhe disse: Sou um Anjo e conto teus passos, para que nenhum fique sem recompensa. Ouvindo isso, não pensou mais o monge em mudar de cela, pelo contrário, teria desejado até que estivesse ainda mais longe, para que pudesse adquirir mais merecimentos.

5. E não são só os bens da vida futura que os cristãos mortificados têm a esperar; eles já possuem nesta vida um bem sumamente precioso na paz e na felicidade que desfrutam na terra. Ou poderá talvez existir uma coisa mais agradável para uma alma que ama a Deus do que o pensamento de que com sua mortificação faz coisa agradável a Deus? Tais almas experimentam na privação de prazeres sensuais e até em seus padecimentos uma grande alegria, não sensual, mas espiritual.

O amor não pode ficar ocioso: quem ama a Deus não pode viver sem lhe dar contínuas provas de seu amor. Ora, não pode uma alma testemunhar melhor o seu amor para com Deus do que renunciando por Ele às alegrias deste mundo e sacrificando-Lhe seus sofrimentos.

Uma alma que ama a Jesus Cristo nem sequer sente quando se mortifica. “Se se ama não se sente nenhuma pena”, diz Santo Agostinho (In Jo trat. 48). Quem poderá, de fato, ver seu Redentor coberto de chagas, afligido e perseguido, sem abraçar, a Seu exemplo, os sofrimentos, e até desejá-los? pergunta Santa Teresa (Vida, c. 8). Por isso protestava São Paulo que não aspirava a outra glória e outra alegria que à da Cruz de Jesus Cristo: “Longe de mim o gloriar-me a não ser da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gál 6, 14). Segundo o mesmo Apóstolo, a diferença que existe entre os que amam a Jesus Cristo e os que não O amam, é que estes lisonjeiam a carne, enquanto aqueles cuidam em mortificá-la e crucificá-la (Gál 5, 24).


6. Pensemos, finalmente, alma cristã, que nossa morte se aproxima depressa, e que muito pouco é o que fizemos para o Céu. Procuremos, portanto, no futuro, mortificar-nos tanto quanto possível; não deixemos passar ocasião alguma de mortificação, conforme o conselho do Espírito Santo: “Não deixes passar uma partezinha do bem que te é concedido” (Ecli 14, 14). Consideremos que cada ocasião de mortificação é um presente de Deus, pelo qual podemos adquirir grandes merecimentos para a vida eterna; ponderemos que não nos será possível amanhã o que hoje podemos, visto que o tempo passado não volta mais.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Conversas Impuras



Por Fr. Frutuoso Hockenmaier, O.F.M.


Ainda que tudo o que é desonesto é indecente, nem tudo o que é indecente se pode chamar desonesto. Não se confunda, pois a indecência com a desonestidade. Conversas e expressões referentes a coisas baixas e inconvenientes são falsamente julgadas desonestas. O mesmo se deve pensar de certas conversas sobre namoros, modas e diversões profanas, em que não se diz qualquer coisa menos conveniente.

Nas mesmas expressões impuras devemos distinguir aquelas que são aberta e diretamente más e que ordinariamente arrastam à impureza, e aquelas que só remota e encobertamente se referem a coisas impuras e apenas levemente induzem ao pecado. Estas expressões, principalmente quando ditas por gracejo ou leviandade e sem complacência e impureza, não são tão pecaminosas como as outras; todavia o seu perigo cresce a medida que os interlocutores são falhos de virtude e inclinados à luxúria. O pecado será tanto mais grave, quanto maior for o perigo.

Não se esqueça que os pensamentos maus a ninguém escandalizam, ao passo que as conversas livres más, por leviandade, brincadeira, ou «para divertir a companhia» como se costuma dizer, dão quase sempre ocasião a maus pensamentos e desejos de pecados talvez gravíssimos, tanto internos como externos. Que tristes efeitos resultam das conversas levianas e impuras!

Uma criada de servir tinha o costume de entremear sempre nas suas conversas palavras levianas e frases inconvenientes, apesar das admoestações constantes duma companheira que não cessava de dizer:

– À hora da morte chorarás amargamente esse mau costume, mas talvez sem proveito.

Uma tarde foram as duas visitar a criada dum vizinho gravemente enferma a qual, depois de ter suplicado que orassem por ela para que lhe concedesse uma boa morte, acrescentou:

Uma coisa, sobretudo me aflige: ter misturado nas minhas conversas, palavras e frases obscenas. O meu confessor bem me dizia: quantos maus pensamentos e talvez más ações cometidas pelo próximo, que te serão imputadas à hora da morte! Agora vejo eu quanta razão ele tinha! Peço-vos que esqueçais as minhas más palavras, não siga meus exemplos, e dizei o mesmo às minhas companheiras. Todas as vezes que entrardes no cemitério e deitardes água benta sobre a minha campa, pensai que me ouvis dizer lá debaixo da terra: Guardai-vos de conversas desonestas, que pesam terrivelmente sobre o coração no leito da morte.

Todas as pessoas presentes ficaram profundamente impressionadas, e mais que todas a leviana criada, que na volta disse à companheira:

Parecia-me que estava sobre brasas; prometo a Deus que nunca mais hei de sujar meus lábios com palavras desonestas.

As Excelências da Mortificação - Parte I



Por Santo Afonso Maria de Ligório


Da mortificação externa

§ I. Necessidade da mortificação externa

A mortificação externa consiste em se fazer e sofrer o que contraria os sentidos exteriores e em se privar daquilo que os lisonjeia. Enquanto ela é necessária para evitar o pecado, é de obrigação absoluta para cada cristão. Se se trata de coisas que licitamente se podem desfrutar, a mortificação não é obrigatória, mas é muito útil e meritória. Contudo, deve-se notar aqui que, para aqueles que tendem à perfeição, a mortificação nas coisas lícitas é absolutamente necessária.

Como pobres filhos de Adão, devemos lutar até a nossa morte, pois “a carne deseja contra o espírito e o espírito contra a carne” (Gál 5, 17). É próprio dos animais seguir os seus sentidos, enquanto que aos anjos compete cumprir a Vontade de Deus; disso conclui um ilustre escritor que nos tornamos anjos, esforçando-nos por cumprir com a Vontade de Deus, e irracionais, se procuramos satisfazer os nossos sentidos. Ou a alma subjuga o corpo, ou o corpo escraviza a alma.

Em vista disso, devemos tratar o nosso corpo como um cavaleiro trata um cavalo bravio, puxando-lhe fortemente a rédea para que não o derrube, ou como o médico que, estando a tratar de um doente, prescreve remédios que lhe são desagradáveis e proíbe-lhe comidas e bebidas nocivas, que ele apetece. Sem dúvida alguma, seria cruel um médico que permitisse ao doente deixar os remédios prescritos por serem amargos e tomar outros, nocivos, por lhe agradarem. Quanto maior não é, pois, a crueldade de um homem sensual, que quer poupar a seu corpo todos os desgostos nesta vida, e expor, assim, sua alma e seu corpo, ao perigo de ter que sofrer por toda a eternidade penas imensamente maiores.

Esse falso amor, diz São Bernardo (Apol. ad Guil., c. 8), destrói o verdadeiro amor que devemos ter para com o nosso corpo; uma tal compaixão com o corpo é, antes, uma grande crueldade, porque, poupando-se o corpo, mata-se a alma. O mesmo Santo dirige aos mundanos, que zombam dos servos de Deus por mortificarem sua carne, as seguintes palavras: “Somos em verdade cruéis para com o nosso corpo, afligindo-o com penitências; porém, mais cruéis sois vós contra o vosso, satisfazendo a seus apetites nesta vida, pois assim o condenais juntamente com vossa alma a padecer infinitamente mais na eternidade”.

Se queremos, portanto, agradar a Deus e alcançar a salvação, devemos corrigir nosso falso gosto: devemos achar satisfação naquilo que a carne detesta e desprezar aquilo que ela apetece. Isso significou Nosso Senhor a São Francisco de Assis, dizendo-lhe: “Se me desejas ter junto de ti, deves ter como amargo o que é doce e como doce o que é amargo”. Não venhas com a objeção que alguns costumam fazer, dizendo que a perfeição não consiste na mortificação do corpo, mas na mortificação da vontade. A isso responde o padre Pinamonti: “Se uma videira não dá fruto [simplesmente] por estar protegida com uma cerca de espinhos, contudo a cerca protege os frutos’, pois ‘onde não há uma cerca, será roubada a feitoria”, diz o Sábio (Ecli 36, 27).

São Luís Gonzaga era de saúde muito melindrosa. Apesar disso, era tão assíduo em crucificar o corpo, que não buscava outra coisa senão mortificação e penitências; e como lhe dissessem uma vez que a santidade não consiste nessas coisas, mas na abnegação de sua vontade própria, respondeu mui sabiamente com as palavras do Evangelho: “Deveis fazer isso e não deixar aquilo” (Mt 23, 23). Com isso queria dizer que, ainda que seja necessário mortificar sua vontade, não se deve deixar de mortificar o corpo, para refreá-lo e submetê-lo à razão. Dizia o Apóstolo: “Castigo o meu corpo e o reduzo à servidão” (I Cor 9, 27). Sem a mortificação da carne, é difícil submetê-la à Lei de Deus.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A água benta e seu uso em favor das almas do Purgatório e toda a Humanidade





Usada com fé e confiança, a água benta tem grande valor para o corpo e alma, assim como constitui recurso eficiente em favor das almas do Purgatório.

Cada vez que o Sacerdote benze a água, ele o faz em nome da Igreja e na qualidade de seu representante, cujas orações nosso Divino Salvador sempre aceita com benevolência.

Por conseguinte, quando se toma água benta e com algumas gotas asperge a si ou um objeto, presente ou ausente, é como se de novo subissem ao Céu as orações da Igreja, para atrair as bênçãos divinas sobre o corpo e a alma, assim como sobre os objetos aspergidos com a água benta. É também a água benta uma poderosa arma para se dissipar os maus espíritos. São muitos os exemplos demonstrativos do temor e horror que Satanás e os demônios têm pela água benta.

Como, porém, se explica que também se possa aplicar a água benta em favor de pessoas distantes e até às almas do Purgatório?

Cada vez que se oferece, mesmo à distância, água benta, na intenção de um ente querido, sobe aos Céus a oração da Igreja anexa à mesma e induz o Coração Sacratíssimo de JESUS a tomar sob sua proteção no corpo e na alma esses teus entes queridos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Série: Milagres da Igreja Católica: O Poder do Escapulário acalma o Mar



No ano de 1845, o navio 'King of the Ocean' deixava o Porto de Londres com destino à Austrália. Entre os passageiros, encontrava-se o pastor protestante inglês James Fisher, com Esposa e dois filhos de nove e sete anos de idade. O tempo esteve bom nas primeiras semanas de viagem, mas, quando já adiantava-se Oceano Índico adentro, um forte tornado, vindo do noroeste, varreu o oceano. As ondas irrompiam furiosamente, as velas se rasgavam e, a bordo, o madeiramento não parecia mais do que canas à mercê dos ventos e das ondas dessa noite memorável. Ordenaram aos passageiros que descessem às suas cabides. Não havia o que fazer. Ouviam-se ordens de comando, gritos de desespero e súplicas de misericórdia.

O Sr. Fisher com a família e mais outras pessoas, subiram ao convés e pediram que todos se unissem em oração suplicando perdão e misericórdia.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Série: Milagres da Igreja Católica - JOVEM SUICIDA É SALVO PELO ESCAPULÁRIO




DEGOLADO, SÓ É ENCONTRADO 3 DIAS DEPOIS E NÃO MORRE ATÉ ENCONTRAR-SE COM UM SACERDOTE

Como Nossa Senhora prometeu que aqueles que 'piedosamente' morressem com o Escapulário não padeceriam do fogo do inferno...

Este impressionante fato ocorreu perto de Granada, na Espanha, e mostra bem a clara proteção da Virgem do Carmo aos que usam o Escapulário.

Num internato daquela cidade, estudava um rapaz muito querido por seu bom comportamento e sucesso nos estudos. Um dia pediu licença para ir até sua cidade, não longe de Granada. Mas, à hora combinada, não voltou, nem no dia seguinte. Os professores mandaram alguém até a casa dos parentes, para saber o que teria ocorrido, mas ficaram surpresos em saber que ele lá não tinha aparecido.

Apreensivos, deram uma busca em seu quarto e só notaram a ausência da navalha com que costumava se barbear. Uma terrível suspeita levantou-se e imediatamente os mestres comunicaram o fato às autoridades e começaram as buscas para ao menos encontrar o corpo do rapaz.

Passados três dias de angustia, dois homens faziam o percurso de Granada à cidade em que morava o rapaz, quando sentiram um impulso interior para aproximar-se de um poço artesiano abandono, que ficava um pouco afastado do caminho. Depois de ter sido perfurado 80 metros, fora abandonado. A 30 metros havia uma saliência para servir de descanso a quem descesse. Conservava ainda um cabo, pelo qual se podia descer até quase o fundo.

Como não se podia ver nada em seu interior, por causa da escuridão, um dos homens jogou dentro uma pedra. No mesmo instante ouviu-se um gemido humano. Atônito, para certificar-se do fato, atirou outra. Aí ouviu-se claramente uma voz que dizia:

- Não atire mais, pois vai matar-me!

Impressionados, os dois correram à cidadezinha para dizer. A noticia correu como rastilho de pólvora, pois toda a população estava ansiosa para ter notícias do desaparecido rapaz. Assim, acorreu ao local o povoado todo, com autoridades e o vigário à frente.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Ladainha da Humildade



                                                                        FONTE

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós

Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-nos
Jesus, manso e humilde de coração, atendei-nos
Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.

Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser amado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser buscado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser louvado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser honrado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser preferido, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser consultado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser adulado, livrai-me, Jesus!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Devoção das 40 Horas de 10 a 12 de Outubro - Programação





quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A Maternidade Divina - Anscar Vonier




Nós do Projeto Anscar Vonier queremos contribuir com a publicação de obras importantes para a formação dos católicos brasileiros, espalhando a mensagem deste grande monge beneditino. Pensando nisso, montamos o projeto de um livro, A Maternidade Divina, e oferecemos algumas formas de colaboração, sendo que em cada opção haverá alguma recompensa. Ou seja, incentivando este projeto, você recebe em troca o próprio fruto dele (o livro), além de outras vantagens. Se a meta for atingida, o trabalho será realizado. Se ela não for atingida, o sistema devolve o dinheiro integralmente para todos os colaboradores sem que haja custo algum por parte de quem fez o projeto ou de quemcolabora. Em suma: credibilidade confiabilidade e transparência.
Então, se você também entende a necessidade da publicação de mais livros católicos de qualidade, faça parte de nossa campanha e nos ajude a divulgar bons livros de formação católica. Contamos com o seu kick através do menu ao lado!


Participar é muito, muito fácil. São dois passos:

  1. Escolha o valor da sua contribuição e sua respectiva recompensa ao lado
  2. Escolha a forma de pagamento, boleto ou cartão de crédito (parcele em até 6x com parcela mínima de R$ 25).
Kickante é um site seguro e é um dos maiores sites de crowdfunding do mundo arrecadando fundos para causas nobres no Brasil afora e ajudando a tirar muitos projetos sensacionais do papel.


Há quem diga que os Evangelhos quase não falam de Maria, pois sua participação ao longo da trajetória de Jesus se resume ao de uma pessoa aparentemente pouco relevante e que qualquer menção a ela que vá além da mera referência à santidade é exagero. A importância que os católicos atribuem a Maria, dizem, eclipsaria e até faria esquecer a Glória de Jesus.
Mas e se eu dissesse que Deus dedicou formas especiais e grandiosas para falar de Maria nas Sagradas Escrituras de uma maneira em que, além do próprio Cristo, não se pode falar do mesmo modo de nenhum outro ser humano? E se eu dissesse que, depois da Vida e Paixão de Cristo, não há nada mais belo do que a Maternidade Divina, por possuir a mais íntima ligação com toda a vida imortal de Cristo? Não sou eu quem o diz, e sim a mais refinada teologia, da qual Dom Vonier, com certeza, foi um dos maiores expoentes no século XX.

Dom Vonier nasceu em 11 de novembro de 1875 no sul da Alemanha. Aos 13 anos respondeu o chamado de Deus por meio de um sacerdote que buscava vocações para o mosteiro de Buckfast, Grã-Bretanha. Esse mosteiro inicialmente ficava na França mas, por causa das perseguições da Revolução Francesa, se viu forçado a mudar. Vonier também estudou humanidades no Colégio dos Padres do Espírito Santo, ondeadquiriu um grande amor pela cultura francesa e, em seguida, foi enviado definitivamente para Buckfast. Ele também cursou filosofia e defendeu a tese que o fez doutor, concluindo o curso num incrível período de 2 anos, sendo que o normal era de 3 anos.
Dedicou-se diariamente à leitura e ao estudo da Bíblia, o que resultou na solidez de seus escritos e na familiaridade com as Escrituras, principalmente com as Epístolas de São Paulo.Segundo D. Joaquim G. de Luna, Dom Vonier “foi construtor, pregador, escritor, mas foi antes de tudo e acima de tudo um monge, isto é, um homem de Deus e da Igreja. [...] Quem quiser conhecer Dom Vonier, leia os seus livros”.
Os leitores irão se maravilhar com a clareza em que as verdades sublimes são explicadas. Sem empregar termos difíceis, inacessíveis, principalmente nos dias de hoje em que a maioria católicos infelizmente não conhecem a fé como outrora. Além disso, ele expõe o dogma católico de uma forma que é quase impossível não aumentar o amor às verdades reveladas.
Graças a Deus existem sites e editoras que estão traduzindo e divulgando trabalhos católicos de qualidade, como se fazia antes e é esta a nossa missão: contribuir com a publicação de obras importantes para a formação dos católicos brasileiros.
O primeiro livro a ser publicado chama-se “A Maternidade Divina”, pois nada melhor para o início de um projeto assim do que homenagear a Mãe dAquele que fez nascer em nós essa ideia, a inspiradora santíssima e a quem dedicamos este empreendimento.

Se você quer colaborar, clique Aqui


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Devoção da Quarentas Horas - Mosteiro da Santa Cruz



quarta-feira, 1 de julho de 2015

A flagelação de Jesus


 
A flagelação de Jesus



Pilatos, juiz covarde e indeciso, pronunciara várias vezes a palavra: "Não lhe acho crime algum; por isso vou mandá-Lo açoitar e depois soltar." A gritaria dos judeus, porém, continuava; "Crucificai-O! Crucificai-O!" Contudo queria Pilatos tentar ainda fazer sua vontade e deu ordem de açoitar Jesus à maneira dos romanos. Então entraram os soldados e, batendo e empurrando a Jesus brutalmente, com os curtos bastões, conduziram nosso pobre Salvador, já tão maltratado e ultrajado, através da multidão tumultuosa e furiosa, para o fórum, até a coluna de flagelação, que ficava em frente de uma das arcadas do mercado, ao norte do palácio de Pilatos e não longe do posto da guarda.

Os carrascos, jogando os açoites, varas e cordas no chão, ao pé da coluna, vieram ao encontro de Jesus. Eram seis homens de cor parda, mais baixos do que Jesus, de cabelo crespo e eriçado, barba muito rala e curta; vestiam apenas um pano ao redor da cintura, sandálias rotas e uma peça de couro ou outra fazenda ordinária, que lhes cobria peito e costas como um escapulário, aberto dos lados; tinham os braços nus.

Eram criminosos comuns, das regiões do Egito, que trabalhavam como escravos ou degredados na construção de canais e edifícios públicos; escolhiam-se os mais ignóbeis e perversos, para tais serviços de carrascos no pretório.

Amarrados à mesma coluna, alguns pobres condenados tinham sido açoitados até à morte, por esses homens horríveis, cujo aspecto tinha algo de bruto e diabólico e pareciam meio embriagados.

Bateram em Nosso Senhor com os punhos e com cordas, apesar de não lhes opor resistência alguma, arrastaram-nO com brutalidade furiosa, até à coluna da flagelação.

É uma coluna isolada, que não serve para sustentar o edifício. É de tamanho tal, que um homem alto, com o braço estendido, lhe pode tocar a extremidade superior, arredondada e munida de uma argola de ferro; na parte de traz, no meio da altura, há também argolas ou ganchos.

É impossível descrever a brutalidade bárbara com que esses cães danados maltrataram a Jesus, nesse curto caminho; tiraram-Lhe o manto derrisório de Herodes e quase jogaram nosso Salvador por terra.

Jesus trepidava e tremia diante da coluna. Ele mesmo se apressou a despir a roupa, com as mãos inchadas e ensangüentadas pelas cordas, enquanto os carrascos O empurravam e puxavam.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Milagres e outros prodígios da SS. Sacramento da Eucaristia - Manuel Vaz Genro





"Trechos do Excelentíssimo livro, Milagres e outros prodígios da SS. Sacramento da Eucaristia, de Manuel Vaz Genro"




(...) o Rei Luís, o Gordo, recuperou a saúde numa doença mortal, quando fazia esforços para se levantar da cama, ao trazerem-lhe o Sagrado Viático.

1416. No domingo de Páscoa, um jovem de nome Leclerc, da Rochela, filho de um importante cidadão, e mudo desde os 7 anos, começou a falar ao receber a comunhão. Ainda hoje se celebra na Rochela, na segunda-feira de Páscoa, a Missa do Mudo.

A bem-aventurada Mariana de Jesus (1565-1624) foi acometida de uma doença nas costas, que em poucos dias (de 11 a 17 de Abril) lhe tirou a vida. Os sofrimentos e angústias só se aplacavam e desapareciam, quando comugava.

1640. Nas sua memórias, o cardeal de Retz conta que viu na Espanha, em Saragoça, um homem, a acender lâmpadas da igreja. Tinha as duas pernas. O deão e todos os sacerdotes afirmam ao cardeal que toda a cidade o tinha visto à porta da igreja, só com uma perna e que recuperara a outra perna, segundo ele dizia, friccionando-se com azeite dessas lâmpadas. Este milagre é festejado todos os anos com enorme concurso de fiéis ( Mémoires, V, pág. 100 ).


1641. M. de Lartigue conta a cura de um homem da paróquia de S. Severino, que súbitamente se restabeleceu, ao receber o Viático.