terça-feira, 3 de abril de 2012

Igreja Católica: Construtora da Civilização Ocidental (Igreja e Ciência) 2.1










“Se perguntarmos a um estudante universitário o que sabe sobre a contribuição da Igreja Católica para a sociedade, a sua resposta talvez se resuma a uma palavra: “opressão”, por exemplo, ou “obscurantismo”. No entanto, essa palavra deveria ser civilização.”



"Igreja e Ciência: A Ciência deve muitas de suas descobertas a sábios monges e padres católicos."





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Oração do Credo em Português e Latim com Áudio







                         Credo                                                        Credo

Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor; que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu na Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado morto e sepultado; desceu aos infernos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos; creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém
Credo in Deum, Patrem omnipoténtem, Creatórem caeli et terrae. Et in Jesum Christum, Filium eius únicum, Dóminùm nostrum : qui concéptus est de Spíritu Sancto, natus ex María Virgine, passus sub Pontio Piláto, crucifíxus, mórtuus, et sepúltus : descéndit ad ínferos; tértia die resurréxit a mórtuis; ascéndit ad caelos; sedet ad déxteram Dei Patris omnipoténtis: inde ventúrus est judicare vivos et mórtuos. Credo in Spiritum Sanctum, sanctam Ecclésiam Cathólicam, Sanctórum communionem, remissiónem peccatórum carnis resurrectiónem, vitam aetérnam.Amen





Download do Áudio da Oração em Latim


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pe. Paulo Ricardo - PNDH 3, PL 122 e MST






Salve Maria Irmãos em Cristo, vocês já devem ter ouvido falar na PNDH 3 e PL 122, mas será que vocês sabem realmente para que elas foram criadas e quais são seus propósitos ? Segue abaixo 3 Vídeos do Pe. Paulo Ricardo, o qual ele explica as reais intenções e efeitos desses decretos e leis, que a maioria das vezes, são criadas pelo PT.  São excelentes vídeos, assistam e baixem para vocês, pois só conhecendo o inimigo para conseguirmos combate-los.



Primeira Parte:






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Segunda Parte:





                          
                                        Download da Segunda Parte:




Terceira Parte:








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O Escarlate e o Negro



A verdadeira história do Monsenhor Hugh O'Flaherty (Gregory Peck), um corajoso padre irlandês que trabalhava no Vaticano durante a ocupação alemã, O'Flaherty devota todo o seu tempo e energia para esconder refugiados e Aliados, construindo uma rede de centenas de pessoas que o ajudam em seus esforços. O chefe loca da GESTAPO, coronel Kappler (Christopher Plummer), descobre as atividades de O'Flaherty. O padre tem imunidade diplomática devido ao seu no Vaticano, mas Kappler ordena a captura de O'Flaherty, ou a morte caso o padre seja visto fora das paredes do Vaticano. O Papa Pio XII permanece indiferente, insistindo na neutralidade da igreja. Trabalhando juntamente com uma valente viúva de um aristocrata, o padre se utiliza de disfarces para escapar e adentrar no Vaticano, continuando sua perigosa missão até que Roma seja libertada, salvando milhares de inocentes da morte




Para fazer o download basta dá play no vídeo abaixo:



Oração do Pai Nosso em Português e Latim com Áudio







                  Pai Nosso                                           Pater Noster



Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje; e perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixeis cair em tentação;
R/. Mas livrai-nos do mal.Amém
Pater noster, qui es in caelis Sanctificétur nomen tuum: Advéniat regnum tuum: Fiat voluntas tua, sicut in caelo, et in terra.Panem nostrum quotidiánum da nobis hódie : Et dimítte nobis débita nostra, sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris.Et ne nos indúcas in tentatiónem.
R/. Sed líbera nos a malo. Amen










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domingo, 1 de abril de 2012

Necessidade de um diretor espiritual para entrar e progredir nos caminhos da devoção.



São Francisco de Sales. Filotéia. Parte I, IV.

Querendo Tobias mandar o filho a uma terra longínqua e estranha, disse-lhe: Vai em busca de algum homem que te seja fiel, que vá contigo. É o que te digo também a ti, Filotéia; se tens uma vontade sincera de entrar nas veredas da devoção, procura um guia sábio e prático que te conduza. Esta é a advertência mais necessária e importante.
Em tudo o que fazemos – diz o devoto Ávila – só temos certeza de estar fazendo a vontade de Deus, enquanto não nos apartamos daquela obediência submissa, que os santos tanto encomendaram e praticaram tão fielmente.
Ouvindo Santa Teresa da austeridade e penitências de Catarina de Cardona, concebeu grande desejo de imitá-la e foi tentada a não seguir o seu confessor, que lho proibia.
Entretanto, como se submetesse, Nosso Senhor lhe disse: “Minha filha, o caminho que segues é bom e seguro; tu estimavas muito essas penitências, mas eu estimo mais ainda tua obediência”. Desde então ela devotou-se tanto a esta virtude que, além da obediência devida a seus superiores, ela se ligou, por um voto especial, a seguir a direção de um homem prudente e de bem, o que sempre a edificou e consolou muito. De modo semelhante, já antes e depois dela, muitas almas santas, que queriam viver inteiramente sob a depêndencia de Deus, submeteram a sua própria vontade à de um de seus ministros. É essa a sujeição humilde que Santa Catarina de Sena tanto encomia em seus diálogos. Foi também a prática da santa princesa Isabel, que prestava uma obediência perfeita à direção do sábio Conrado. Nem outro foi o conselho que, ao morrer, deu S. Luís, seu filho.
“Confessa-te a miúdo e escolhe um confessor insigne por sua ciência e sabedoria, o qual te ajude com suas luzes em tudo o que for necessário para a tua direção espiritual”
O amigo fiel é uma forte proteção – diz a Sagrada Escritura – quem o achou, achou um tesouro. O amigo fiel é um medicamento de vida e de imortalidade, e os que temem o Senhor acharão um tal amigo.
Trata-se aqui principalmente da imortalidade da vida futura; e, se a quisermos alcançar, convém ter um amigo fiel ao nosso lado, que dirija as nossas ações com uma mão segura, através das ciladas e embustes do inimigo. Ele será para nós um tesouro  de sabedoria para evitar o mal e praticar o bem de uma maneira mais perfeita; Ele nos dará conforto para aliviar-nos em nossas quedas e nos dará o remédio mais necessário para a cura perfeita de nossas enfermidades espirituais.
Mas quem achará um tal amigo? Diz o sábio que é aquele que teme a Deus, isto é, o homem humilde que anseia com ardor o seu adiantamento espiritual. Se é, pois, tão importante, Filotéia, ter um guia experimentado nos caminhos da devoção, pede com todo o fervor a Deus que te mande um segundo o seu Coração e não duvides nem um instante que ele te enviará um diretor sábio e fiel, ainda que fosse um anjo do céu, como ao jovem Tobias.
De fato, esse amigo deve ser um anjo para ti, isto é, uma vez que o tenhas obtido de Deus, já não o deves considerar como um simples homem. Não deposites a tua confiança nele senão com respeito a Deus, que, por seu ministério, te quer guiar e instruir, suscitando no seu coração e nos seus lábios os sentimentos e as palavras necessárias para a tua direção. Por isso deves ouvi-lo como a um anjo que vem do céu para te dirigir. Ajunta a esta confiança uma sinceridade a toda prova, tratando-o franca e abertamente e deixando-lhe ver em tua alma todo o bem e o mal que aí se encontram: o bem será mais certo e o mal menos profundo; a tua alma será mais forte nas adversidades e mais moderada nas consolações. Um religioso respeito também deves ajuntar à confiança, de tal forma que o respeito não diminua a confiança, nem a confiança o respeito. Confia nele como uma filha em seu pai e respeita-o como um filho sua mãe. Numa palavra: esta amizade, que deve unir a força com a doçura, tem que ser toda espiritual, toda santa, toda sagrada, toda divina.
“Escolhe, pois, um entre mil – diz Ávila” – e eu te digo: escolhe um entre dez mil, porque se acham muito menos do que se cuida, que sejam capazes deste ofício. Deve ser cheio de caridade, ciência e prudência; se faltar uma destas três qualidades, a escolha será arriscada. Repito-te ainda uma vez: suplica a Deus um diretor e, quando o achares, agradece à Divina Majestade; persevera então em tua escolha, sem ir procurar outros; caminha para Deus com toda simplicidade, humildade e confiança e tua viagem será certamente feliz. 

A Subida do Calvário - VIII. A COROA DE ESPINHOS

 PRIMEIRA PARTE
OS INSTRUMENTOS DE SUPLÍCIO
 
VIII - A COROA DE ESPINHOS
 
 
 
Jesus emite várias afirmações no decurso da Sua Paixão. Duas entre outras são nitidamente formuladas de modo que não deixam lugar a dúvida alguma.

Ao Sumo Sacerdote que o intima a de clarar se é o Filho de Deus, o Cristo bendito, o Messias esperado: Vos dicitis, quia ego sum. Dizeis bem, sim, Eu o sou.

A Pilatos que Lhe pergunta visivelmente perturbado: És então verdadeiramente Rei? Responde Ele: Tu dicis, quia rex sum ego. Sim, dizes bem, Eu sou Rei.

Sim, Ele é Deus!
Sim, Ele é Rei!

Morrerá por estas duas verdades!

Tão bem se havia apreendido o sentido dessa dupla afirmação, que é precisamente esse duplo caráter de Deus e de Rei que é feito objeto de todas as derisões e zombarias no drama da Paixão. Efetivamente, quer essas zombarias venham do povo: Vamos! Se é o Filho de Deus que desça da cruz!; quer venham dos sacerdotes: Vamos! Tu que destróis o Templo para levantar outro em três dias!; quer caiam dos lábios de Herodes que o reveste da túnica branca, ou dos dos soldados: Salve, rei dos judeus!...; essas zombaria tendem todas a ridicularizar o Deus e o Rei.

O Deus, em duas das Suas mais altas prerrogativas: conhecer o futuro e escapar à morte: Cristo, profetiza quem te bateu! Salvou os outros, não se pode salvar a si.

O Rei, na coroa irrisória que Lhe enterram na cabeça, e no próprio título que apõem ao topo da cruz.

Quem poderia ter dado àqueles soldados estrangeiros a cruel idéia da coroação, a não ser aquela dupla corrente que agitava todos os espíritos no momento da Paixão? Ele se diz Filho de Deus, pois havemos de vê-lo. Acaba Ele de declarar a Pilatos que é Rei...

Acudi todos, ó amigos; nós vamos fazer a cerimônia da coroação. E toda a coorte é convocada para assistir; enfileiram-se em torno da Vítima. Acaba esta de sair desfalecente da flagelação; mal teve tempo de vestir a túnica. O Sangue das feridas permeia-Lhe as roupas. Ele chega curvado ao máximo, tremendo, pálido e ensangüentado, como o vindimador que espremeu sozinho o lagar.

Despem-nO e fazem-nO sentar no meio do pretório. Havia no corpo da guarda um frangalho de clâmide púrpura. A clâmide era antes de tudo um manto militar; quando de púrpura, era uma vestimenta real.

Assim, daquele homem caído, desfeito, sem aparência humana, fazem, burlescamente, um rei de comédia.

Como Lhe colocaram aquela clâmide nos ombros? Que é que restava daquele trapo de púrpura? Qual era a postura humilhada de Jesus sob aquele ridículo manto? Ignoramos estes pormenores, mas certamente tudo deve ter sido ajustado de maneira irrisória. Pois não era ridículo que O queriam tornar? E, quando o manto foi assim lançado de modo que constituísse uma zombaria, acharam de cuidar da coroa.

Cortam a toda a pressa – porque há que apressar-se: Pilatos está esperando, os judeus impacientam-se nas ruas – cortam, pois, às pressas, um molho de espinhos. Trazem então o espinheiro e jogam-no brutalmente sobre a cabeça do Rei Jesus.

É mister, entretanto, dispô-lo em coroa. Como o feixe espinhoso não segura naquela cabeça que se inclina a seu pesar debaixo daquele doloroso fardo, batem-Lhe com força em cima. Ela se enterra então profundamente, aquela coroa espessa e rubra de Sangue. Todo o alto da cabeça fica coberto: é como um capacete cujas pontas aceradas atravessam a cabeleira, escalpelam o crânio, penetram na carne e fazem à volta toda da fronte uma auréola de Sangue.

Grossas gotas pingam pouco a pouco, molhando todo o rosto tão pálido, indo perder-se na barba poeirenta e suja.

Nada falta: eis ali o Rei, a corte está formada, o desfile dos cortesãos vai começar.

Zombar da realeza de Cristo é negá-la. O mundo não pode admitir que alguém lhe seja superior, porque este teria o direito de fiscalizar-lhe as máximas. E aí está porque a realeza do Cristo será sempre escarnecida ou negada. O processo da zombaria é o mais conforme aos costumes mundanos.

A zombaria é uma malignidade e uma fraqueza. Zomba-se daquilo que não se pode aniquilar, esperando assim fazê-lo desaparecer sob os sarcasmos. Poucos homens, mesmo superiores, resistem à zombaria. O ridículo mata.

Jesus e a Sua obra por excelência, a Igreja, sobrepõem-se ao ridículo, e é essa uma prova de divindade: que a Igreja atravesse o mundo sempre a mesma, vitoriosa.

(“A subida do Calvário”, do padre Louis Perroy, SJ)

A Subida do Calvário - VII. OS FLAGELOS

 PRIMEIRA PARTE
OS INSTRUMENTOS DE SUPLÍCIO
 
VII - OS FLAGELOS 



Do começo da vida até ao momento da morte, Jesus teve sempre diante dos olhos a Sua Paixão sangrenta.
Qual um artista que traz incessantemente consigo, numa gestação dolorosa, o ideal de que fará a sua obra prima.

Para Jesus, este grande drama da Paixão tem cinco atos principais: Ele os enumera, pormenoriza-os e sobre eles frequentemente comenta na intimidade da sua conversação com os Apóstolos.

O Filho do Homem, diz mais de uma vez aflitivamente, será traído (e ai daquele que O trair!): em conseqüência dessa traição será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, que por sua vez O entregarão aos gentios”. E aí está o primeiro ato.

Depois será escarnecido, posto a ridículo. Et illudent ei. Ludibria-lO-ão, divertir-se-ão à Sua custa cinicamente. E nesta palavra, como num espelho profundo onde se refletissem cenas distantes, Jesus vê se desenrolarem todos os ultrajes do corpo da guarda, do Pretório, do palácio de Herodes, até a sinistra irrisão da coroa e do título real afixado à cruz: é o segundo ato.

O terceiro cifra-se numa palavra: Et conspuent eum: cuspir-Lhe-ão em cima. É um traço que O atormenta antecipadamente, frisa-O Ele com dolorosa precisão.

Et flagellabunt: será flagelado, açoitado como um escravo ou um animal malfazejo: é o quarto ato.

Após todas essas cenas, todas essas orgias de sangue, o quinto ato termina no Calvário.
Assim, como em cruel escorço, eis toda a Paixão do Cristo, tal qual O preocupa e O angustia de antemão.
A traição. As zombarias. Os escarros. Os flagelos. A cruz.

Tais são os cimos que Ele tem de galgar em menos de dezoito horas. Que profundezas de humilhações ser-Lhe-á forçoso atravessar para atingi-los!

Flagellabunt eum!

A flagelação parece ser, à luz da reflexão, uma cruel inutilidade: porque essa tortura suplementar a quem vai padecer a morte? A flagelação pode quando muito compreender-se como um castigo destinado a punir e a escarmentar.

Mas, para um condenado, não passa isso de um ato de selvageria. Aturou-o Jesus.

Tão bem o haviam compreendido os Judeus que, na conformidade da sua lei, ratificada por Deus, tinham que limitar no número dos golpes, trinta e nove, e o lugar onde se deviam aplicar esses golpes estava designado: as espáduas e o peito do réu.

Jesus não teve o benefício da Sua lei nacional.

Estava entregue aos gentios: ora, os gentios, mais bárbaros, mais cínicos, mais próximos dos baixos instintos, a despeito da sua civilização, não entendiam essas reservas no modo do castigo.
Ó Jesus! Fostes pois inteiramente despido e atado assim a uma coluna, com as mãos presas pela frente a uma argola, e o Vosso corpo se dobrava dolorosamente em dois!

Quanto tempo durou esse horrível suplício? Qual foi o número dos golpes?

Sabemos que eram gentios que batiam, que nenhuma lei limitava os golpes; – que eles eram estimulados pelos judeus; – que o homem entregue perdera toda reputação; – que já lhes era entregue em estado deplorável, coberto de poeira e de escarros, como um louco indigno de compaixão, um sedutor, um mágico; – que Pilatos, na sua cruel política, pedira um castigo de preferência severo; – que eles, os gentios, não queriam ficar atrás relativamente ao que fôra feito na noite precedente pela guarda de Caifás; – que, finalmente, eram soldados grosseiros, ávidos de espetáculos sangrentos.

Sabemos também que não se utilizavam varas para os estrangeiros e os escravos, mas sim flagelos engrossados de nós ou eriçados de pontas.

É provável portanto que aqueles verdugos não se tenham contentado com bater só no lado de trás do corpo, porém que, quando a sua Vítima ficou ensangüentada desse lado, a tenham cruelmente virado e sulcado de golpes, da cabeça aos pés o Divino Cordeiro a sangrar e a gemer sob os flagelos.

Supra dorsum meum fabricaverunt peccatores. Lavraram-me as costas todas. Prolongaverunt iniquitatem suam. E prolongaram a sua cruel prática (cf. Sl 128, 3).

Aí estão o lugar e a duração já indicados.

A planta pedia usque ad verticem, non est in eo sanitas, nem um só lugar sem laceração, da base ao vértice.

Vulnus et livor et plaga tumens. São só feridas, rasgos lívidos, chaga túmida (cf. Is 1, 6).

Como designar melhor os efeitos de uma longa e cruel flagelação? Nenhum dos suplícios suportados pelo Filho do Homem na Sua Paixão podia produzir efeitos semelhantes. E sob o dedo do profeta se remata a sinistra pintura:

Já não tinha forma, nenhuma beleza, o rosto está como suprimido, encolhido, aniquilado por aquela horrível dor; flagelado, açoitado como o último dos homens, assemelha-se o Seu corpo ao de um leproso; exangue, parece um galho mirrado que sai de uma terra seca. Podem-se-Lhe contar os ossos, postos a nu. Faz mal à vista, a gente desvia a cabeça, é um homem açoitado por Deus: açoitado, que digo? Ele está é triturado” (Isaías 53).


Estes pormenores não convêm senão à flagelação. Por que a quis Deus tão longa, tão cruel, tão especialmente horrível? Por que essa pintura do Profeta tão pungente, tão realista? Por que de per si constitui ela um ato do drama lúgubre? Por que acrescentou Ele que de antemão ela faz experimentar ao Filho do Homem um arrepio involuntário?

Os que conhecem o terrível mistério da depravação humana e as perversões de uma carne de que Deus queria fazer um invólucro radioso da alma pura, talvez compreendam os horrores da expiação divina.
Em duas circunstâncias memoráveis Deus alçou-se contra a carne culpada: no dilúvio, que cobriu o mundo corrompido, e em Sodoma e Gomorra, que inflamaram-se numa noite, quais sinistros archotes.

A mesma corrupção existe hoje em dia: se não tivéssemos a onda de Sangue Divino que correu na coluna, o mundo subsistiria ainda?

(“A subida do Calvário”, do Pe. Louis Perroy, SJ)

Pensamentos sobre Nossa Senhora das Dores

Nossa Senhora das Dores


"Oh! Como, após uma longa meditação sobre a Imaculada Conceição, o amor se escapa de cada poro de nosso coração, ao pensar que esta excelsa Rainha é que se manterá de pé junto à Cruz, com o Coração amargurado e as mãos tingidas de Sangue! Ó Mãe! Nós podemos chorar de alegria junto ao Vosso trono, mas lágrimas vertidas assim não são como aquelas que podemos derramar ao Vos ver sobre o Calvário: não nos aliviam tanto. Quando vemos Vossa doce e triste face, onde se estampa toda a dor maternal, as lágrimas que Vos correm, Vossa calma em meio a males tão grandes, a sombra escura que sobre Vós se abate, chega a parecer então que Vos encontramos após um longo tempo de perdida, e que sois uma Maria diferente daquela maravilha que os céus admiram; e então mais Vós nos pareceis uma Mãe sobre o cimo pouco elevado do Calvário, do que quando Vos vemos sobre as alturas inacessíveis do Céu." (Padre  Frederick William Faber)



Domingo de Ramos - A utilidade da Paixão de Cristo como exemplo.

 
Domingo de Ramos
A utilidade da Paixão de Cristo como exemplo
 
 
   
Como disse S. Agostinho: "A Paixão de Cristo é suficiente para ser modelo de toda a nossa vida". Quem quer que queira ser perfeito na vida, nada mais é necessário fazer senão desprezar o que Cristo desprezou na cruz, e desejar o que nela Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude deixa de estar presente na cruz.
Se nelas buscas um exemplo de caridade, "ninguém tem maior caridade do que aquele que dá sua vida pelos amigos" (Jo 15, 13). Ora, foi o que Cristo fez na cruz. Por isso, já que Cristo entregou a sua vida por nós, não nos deve ser pesado suportar toda espécie de males por amor a Ele. "O que retribuirei ao Senhor, por todas as coisas que Ele me deu?" (Ps. 115, 12).
 
Se procuras na cruz um exemplo de paciência, nela encontrarás uma imensa paciência. A paciência manifesta-se extraordinária de dois modos: ou quando alguém suporta grandes males pacientemente, ou quando suporta aquilo que poderia ser evitado e não quis evitar. Cristo na cruz suportou grandes sofrimentos: "Ó vós todos que passais pelo caminho parai e vede se há dor igual à minha!" (Lm 1, 17), e os suportou pacientemente, "como a ovelha levada para o matadouro e como o cordeiro silencioso na tosquia" (1 Pd 2, 23). Cristo na cruz suportou também os males que poderia ter evitado, mas não os evitou: "Julgais que não posso rogar a meu Pai e que Ele logo não me envie mais que doze legiões de Anjos?" (Mt 26, 53). Realmente, a paciência de Cristo na cruz foi imensa! "Corramos com paciência para o combate que nos espera, com os olhos fitos em Jesus, o autor da nossa fé, que a levará ao termo: Ele que, lhe tendo sido oferecida a alegria, suportou a cruz sem levar em consideração a sua humilhação" (Heb 36, 17).
 
Se desejares ver na cruz um exemplo de humildade, basta-te olhar para o crucifixo. Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer: "A vossa causa, Senhor, foi julgada como a de um ímpio" (Jo 36, 17). Sim, de um ímpio, porque disseram: "Condenemo-lo a uma morte muito vergonhosa" (Sb 2, 20). O Senhor quis morrer pelo seu servo, e Aquele que dá a vida aos Anjos, pelo homem: "Fez-se obediente até à morte" (Fl 2, 8)
 
Se queres na cruz um exemplo de obediência, segue Àquele que se fez obediente ao pai, até à morte: "Assim como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores; também pela obediência de um só homem, muitos se tornaram justos" (Rm 5, 19).
 
Se na cruz estás procurando um exemplo de desprezo das coisas terrenas, segue Àquele que é o Rei e o Senhor dos Senhores no qual estão os tesouros da sabedoria, mas que na cruz aparece nu, ridicularizado, escarrado, flagelado, coroado de espinhos, na sede saciado com fel e vinagre e morto. Não deves te apegar às vestes e às riquezas, "porque dividiram entre si as minhas vestes" (Sl 29, 19); nem às honras, porque "Eu suportei as zombarias e os açoites"; nem às dignidades, porque "puseram em minha cabeça uma coroa de espinhos que trançaram"; nem às delícias, porque "na minha sede deram-me vinagre para beber" (Sl 68, 22)
        

 
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)