sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário (I)




Caros leitores: se praticais e divulgais esta prática, aprendereis por própria experiência, melhor que em qualquer livro, e experimentareis felizmente o efeito das promessas feitas pela Santíssima Virgem a São Domingos e ao Bem-aventurado Alano de la Roche e a todos que façam florescer esta devoção que é tão grata, que institui os povos nas virtudes de seu Filho e nas suas, inicia na oração mental e conduz à imitação de Jesus Cristo, à frequência dos sacramentos, à prática sólida das virtudes e a toda espécie de boas obras; a ganhar preciosas indulgências, que as pessoas ignoram porque os pregadores desta devoção quando falam sobre elas, contentam-se em fazer um sermão do Rosário à maneira moderna, ainda que só cause muitas vezes admiração e nenhuma instrução. Enfim, contento-me em dizer-lhe, com o Bem-aventurado Alano de la Roche, que o Rosário é o manancial e o depósito de toda espécie de bens.

1º) Os pecadores obtêm o perdão;
2º) As almas sedentas se saciam;
3º) Os que estão atados vêem seus laços desfeitos;
4º) Os que choram encontram alegria;
5º) Os que são tentados encontram tranquilidade;
6º) Os pobres são socorridos;
7º) Os religiosos são reformados;
8º) Os ignorantes instruídos;
9º) Os vivos triunfam da vaidade;
10º) E os mortos são aliviados por meios de sufrágios;


"Quero - disse um dia a Santíssima Virgem ao Bem-aventurado Alano - que os devotos de meu Rosário tenham a graça e a benção de meu Filho durante sua vida, na hora da morte e depois desta, que se vejam livres de toda a espécie de escravidões e que sejam reis, com a coroa sobre sua cabeça, o cetro na mão e tenham a glória eterna". Assim seja.

(O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário – São Luiz Maria Grignion de Montfort)
 


FONTE: São Pio V

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Catecismo do Matrimônio.



Lançamento do Mosteiro da Santa Cruz!


Poucos livros são mais necessários do que este nos dias de hoje em que os deveres e as graças do matrimônio são cada vez desconhecidos.


São 135 págs. este catecismo, de perguntas e respostas muito pratico.

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No Altar à Hora Nona. O Silêncio e a Solidão do Gólgota: Assistindo à Missa Tradicional.





Por Antonio Margheriti Mastino

Há duas facetas em particular que nos permitem uma compreensão mais profunda da Missa, especialmente, de acordo com a Forma Extraordinária, que pessoalmente prefiro:  o silêncio e a solidão.  O altar, antes, durante e depois do Sacrifício é coberto em silêncio. E pela solidão: a do celebrante, o “Alter Christus.”

Mas como isso pode acontecer, alguém dirá, uma vez que a Páscoa e, portanto, a celebração são triunfos? Isso é verdade. Mas a celebração da Missa também é a representação da Paixão e Morte de Cristo, que se desenrola no silêncio, na solidão, na traição, na negação e na fuga dos discípulos. Na Última Ceia, Cristo é traído e vendido por Judas. No Jardim das Oliveiras, na noite antes de sua morte, Cristo é deixado sozinho para suar sangue, enquanto seus discípulos dormem em vez de orar com ele, a única coisa que ele lhes havia pedido. Naquela mesma noite, Pedro o nega três vezes. Ninguém tenta salvá-lo, ninguém se oferece para suportar o peso de sua cruz, mesmo por pouco tempo (o Cireneu foi forçado a fazê-lo).  Ninguém parece conhecê-lo ou reconhecê-lo.

Cristo, em um momento de verdadeira dor humana, clama em voz alta ao seu Deus, ao Abba, o abismo de miséria e solidão em que mergulha em silêncio. “Solidão”. A mesma solidão que o sacerdote, o Alter Christus, experimenta nesse momento no altar do Sumo Sacrifício, o Gólgota renovado, onde, de um modo real e mais uma vez a Paixão de Cristo irrompe. O sacerdote está sozinho no altar.  E a esta solidão soma-se a sombra protetora da solidão: silêncio. Na colina desolada do Gólgota, primeiro no Jardim e em seguida assim como no túmulo, Cristo está sozinho e em silêncio: o silêncio de sua obediência, do cálice de amarga aflição, o suor misturado com sangue.  E este é o silêncio da impotência, uma impotência que por um momento parece até mesmo a de Deus.  “Meu Pai, Abba, por que me abandonaste?” O “silêncio” de Deus, neste momento quando a onda do abismo está quebrando sobre Cristo, parece quase como o naufrágio da Divindade no nada.

Sete últimas palavras de Jesus na Cruz: Sétima Palavra.



Sétima palavra de Jesus Cristo na cruz:

Pater, in manus tuas commendo spiritum meum
“Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito”
(Luc. 23, 46).


I. Diz Eutíquio que Jesus soltou esse grande brado para dar a entender a todos que era verdadeiramente o Filho de Deus, visto que chamava Deus de seu Pai. Mas, São João Crisóstomo diz que Jesus bradou em voz alta para tornar patente que não morria por necessidade, mas por sua própria vontade, falando tão alto quanto estava próximo a expirar, o que não podem fazer os agonizantes por causa da grande fraqueza que sentem. — Esta explicação do Santo é mais conforme ao que Jesus Cristo mesmo havia dito em vida, a saber: que pela sua própria vontade sacrificava a vida pelas suas ovelhas e não pela vontade e malícia de seus inimigos: Et animam meam pono pro ovibus meis... Nemo tollit eam a me, sed ergo pono eam a meipso (1).

Acrescenta Santo Atanásio que Jesus Cristo, recomendando-se ao Pai, recomendou-Lhe ao mesmo tempo todos os fiéis que pelos seus merecimentos deviam ser salvos; porquanto a cabeça forma com os membros um só corpo. Pelo que o Santo diz que Jesus entendeu repetir então o pedido feito pouco antes: Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, a fim de que sejam um como nós (2).

É o que fez São Paulo dizer, quando estava na prisão: Patior sed non confundor (3) — Suporto estes sofrimentos, mas não tenho pejo deles, porque depositei o tesouro de meus sofrimentos e de todas as minhas esperanças nas mãos de Jesus Cristo e sei que Ele é grato e fiel para com aqueles que padecem por seu amor. — Se Davi já punha toda a sua esperança no Redentor vindouro, quanto mais não o deveremos fazer nós, visto que Jesus já consumou a nossa redenção? Digamos-Lhe, pois, com grande confiança: In manus tuas commendo spiritum meum; redemisti me, Domine Deus veritatis (4) — “Em tuas mãos encomendo o meu espírito; remiste-me, Senhor Deus da verdade”.

II. Pai, em tuas mãos encomendo o meu espírito. Que conforto trazem estas palavras aos agonizantes contra as tentações do inferno e os temores causados pelos pecados cometidos! — Mas, Jesus, meu Redentor, não quero esperar até a hora de minha morte para Vos encomendar a minha alma; desde já Vô-la encomendo; não permitais que ela ainda se afaste de Vós. Vejo que até agora a vida me tem servido unicamente para Vos ofender; não consintais que no resto de minha vida continue a Vos causar desgostos.

Ó cordeiro de Deus, sacrificado sobre a cruz e morto por meu amor, qual vítima de amor e exausto pelas dores, fazei pelos merecimentos de vossa morte que Vos ame com todo o meu coração e seja todo vosso nos dias que me restam. E, quando chegar o fim de meus dias, deixai-me morrer abrasado em vosso amor. Vós morrestes por meu amor, eu quero morrer por amor vosso. Vós Vos destes todo a mim, eu me consagro todo a Vós. Em vossas mãos, ó Senhor, encomendo o meu espírito; remistes-me, ó Deus da verdade.

Ó Jesus, para minha salvação derramastes todo o vosso sangue, sacrificastes a vossa vida; não permitais que por minha culpa tudo isso seja sem fruto para mim. Meu Jesus, eu Vos amo, e pelos vossos merecimentos espero amar-Vos sempre. In te, Domine, speravi, non confundar in aeternum. — Em vós, Senhor, pus minha esperança; não permitais que eu seja confundido para sempre. Ó Maria, Mãe de Deus, confio também em vossas orações; pedi que eu seja fiel a vosso Filho na vida e na morte. A vós também direi com São Boaventura: In te, Domina, speravi, non confundar in aeternum. — Em vós, Senhora, pus minha esperança; não permitais que eu seja confundido para sempre. Não, minha Senhora, nunca se perdeu quem pôs as suas esperanças em vós, e de certo não serei eu o primeiro. (*I 677)

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1. Io. 10, 15 et 18.
2. Io. 17, 11.
3. 2 Tim. 1, 12
4. Ps. 30, 6.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 238- 240.)

FONTE: São Pio V

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sete últimas palavras de Jesus na Cruz: Sexta Palavra.



Sexta palavra de Jesus Cristo na cruz:

Consummatum est
 “Tudo está consumado”.
(Io. 9, 30)



I. Nosso amabilíssimo Jesus, chegado o momento de render o último suspiro, disse com voz moribunda: Tudo está consumado. Pronunciando estas palavras, repassou em seu pensamento todo o decurso de sua vida, viu todos os seus trabalhos, a pobreza, as dores, as ignomínias que tinha sofrido e tudo ofereceu de novo a seu Pai pela salvação do mundo. Depois, voltando-se para nós disse: Tudo está consumado. — Foi como se dissesse: Homens, tudo está consumado, tudo está cumprido; a ora da vossa redenção se completou, a divina justiça está satisfeita, o paraíso está aberto. Et ecce tempus tuum, tempus amantium (1) — Eis-aqui o vosso tempo, o tempo dos que amam. É tempo, enfim, ó homens, de vos resolverdes a amar-me. Amai-me, pois, amai-me; porque nada mais tenho a fazer para ser amado por vós.

Tudo está consumado. Vede, disse então Jesus moribundo, vede o que tenho feito para adquirir o vosso amor. Por Vós tenho levado uma vida cheia de tribulações; no fim de meus dias, antes de morrer, consenti que fosse derramado o meu sangue, que me escarrassem no rosto, que me despedaçassem o corpo, que me coroassem de espinhos; finalmente, sujeitei-me a suportar as dores da agonia sobre este madeiro em que me vedes. Que resta fazer? Uma só coisa: expirar por vós. Sim, quero morrer. Vem, ó morte, eu to permito, tira-me a vida pela salvação de minhas ovelhas, amai-me, amai-me, porque já não posso ir mais longe para me fazer amar. Consummatum est — “Tudo está consumado”.

Amemos, pois, a nosso Jesus, e, conforme à exortação do Apóstolo, provemos-Lhe nosso amor, correndo com paciência generosa ao combate que em vida teremos de sustentar conta os nossos inimigos espirituais; provemos-lho resistindo até ao fim as tentações, a exemplo de Jesus Cristo mesmo, que não desceu da cruz antes de expiar e quis consumar o seu sacrifício até morrer: Per patientiam curramus ad propositum nobis certamen, aspicientes in auctorem fidei et consummatorem Iesum (2) — “Corramos pela paciência ao combate que nos é proposto, olhando para o autor e consumador da fé, Jesus”.

II. Quando as paixões interiores, as tentações do demônio, ou as perseguições da parte dos bons, nos fizerem perder a paciência e aceitar a ofensa de Deus, olhemos para Jesus crucificado que derramou todo o seu sangue pela nossa salvação e lembremo-nos que por seu amor não temos ainda derramado uma só gota de sangue: Nondum enim usque ad sanguinem restitistis, adversus peccatum repugnantes (3) — “Ainda não resististes até o sangue, combatendo contra o pecado”.

Quando tivermos de ceder em algum pundonor, de reprimir algum ressentimento, de nos privarmos de alguma satisfação, de alguma curiosidade ou de outra coisa inútil à nossa alma, tenhamos pejo de o recusarmos a Jesus Cristo. Jesus se nos deu sem reserva, deu-nos toda a sua vida, todo o seu sangue: tenhamos, pois, pejo de usarmos de reserva para com Ele. Não nos enfastiemos de fazer e sofrer alguma coisa por amor de Jesus Cristo, que por nossa salvação chegou, no dizer de Taulero, “a consumar tudo o que a justiça divina exigia, tudo o que o amor pedia, tudo o que podia dar um claro testemunho de seu amor”.

Meu amabilíssimo Jesus, tomara que eu também pudesse dizer morrendo: Senhor, tudo está consumado; tenho feito tudo que me mandastes, tenho levado com paciência a minha cruz, tenho procurado agradar-Vos em tudo. Ah, meu Deus! Se tivesse de morrer agora, morreria bem descontente de mim mesmo, pois nada disto poderia dizer. Mas, Senhor, viverei sempre tão ingrato ao vosso amor? Suplico-Vos que me concedais a graça de Vos agradar nos anos de vida que me restam, a fim de que, quando vier a morte, possa dizer-Vos que ao menos desde o dia de hoje cumpri a vossa vontade. — Se no passado Vos ofendi, a vossa morte é a minha esperança; para o futuro não Vos quero trair mais. De Vós espero a minha perseverança; eu a peço e o espero, ó meu Jesus, pelos vossos merecimentos. — Ó Maria, Mãe das dores, ajudai-me pela vossa intercessão. (*I 585)

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1. Ez. 6, 8.
2. Hebr. 12, 1.
3. Hebr. 12, 4.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 220 - 223.)

Fonte: São Pio V

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Oração a Maria Santíssima para Guardar a Santa Pureza.




Oração a Maria Santíssima para Guardar a Santa Pureza

Coração Puríssimo de Maria, por vosso amor e com vosso auxilio, estou resolvido a não consentir, neste dia, em nenhum pensamento impuro. Ajudai-me, Senhora, a afastá-los logo.

Ave Maria...

Coração Puríssimo de Maria, por vosso amor e com vosso auxilio, estou resolvido a não proferir, neste dia, palavra alguma indecente. Purificai, Senhora, a minha língua.

Ave Maria...

Coração Puríssimo de Maria, poe vosso amor e com vosso auxílio, estou resolvido a guardar, neste dia, especial modéstia em todas as minhas ações. Ó Senhora minha! Ó minha Mãe! Impetrai-me a graça de sempre e em tudo dar gosto ao vosso Puríssimo Coração.

Ave Maria...

Meu Jesus,

Fazei-me PURO. Puro nos olhos, nos pensamentos e nas ações.
Fazei-me HUMILDE, que eu sempre desconfie de mim mesmo e não me exponha ao perigo do pecado.
Fazei-me PENITENTE, dai-me amor ao sofrimento; tanto sofrestes por mim, eu quero sofrer por Vós.
Meu Jesus, fazei-me GENEROSO, para que eu nada Vos recuse e toda a minha vida seja Vossa.
Fazei-me ZELOSO pela Glória de Deus e pela Salvação das almas.
Meu Jesus, fazei-me OBEDIENTE aos meus pais e superiores.

Amém.


A Cegueira da Sociedade




Por D. Williamson*
Traduzido por Andrea Patrícia

Caros Amigos e Benfeitores,

O mundo está ficando a cada dia um lugar mais difícil para os católicos viverem. A partir do momento em que eles querem levar a sério sua Fé Católica, eles se encontram mais ou menos desalinhados com quase tudo o que outra pessoa pensa, diz ou faz a volta deles. Isso chega a um ponto que, como católicos, ou eles começam a desarmar sua Fé com qualquer uma das variedades de concessões facilmente disponíveis, ou eles vivem num estado de contínua – e crescente – tensão com o ambiente à sua volta, com pouca ou nenhuma perspectiva de diminuição da tensão. O que eles fazem?

Certamente os jovens que são pegos nessa situação merecem simpatia, até onde eles não tenham criado isso, tenham meramente caminhado para dentro disso. É compreensível que muitos deles voltem-se para soluções falsas como drogas, ou prazer, ou sucesso material, mas o problema, que esteve à volta deles por muito tempo, ainda não foi embora. Questões sérias merecem respostas sérias.

Deixem-me citar de uma carta que recebi mês passado de um estudante universitário nos Estados Unidos. Eu adaptei ligeiramente esse texto:

        “… Eu estou bastante enojado da escola e da sociedade em geral. Total assombro é a única maneira que eu consigo descrever minha reação a esse grande abismo que divide o católico da sociedade moderna. Isso tem ido tão longe… Algumas vezes eu me enraiveço internamente contra essa abominação toda, e começo a imaginar se eu estou tornando-me aos poucos um odiador da humanidade. Mas não obstante por mais que eles possam estar desorientados, eu ainda fico preocupado pelas almas dos meus semelhantes, então talvez eu só esteja frustrado.