quinta-feira, 17 de abril de 2014

A morte de Jesus é nossa vida.




Reflexões sobre a morte de Jesus Cristo e a nossa
Santo Afonso Maria de Ligório

A morte de Jesus é nossa vida.


Escreve S. João que nosso Redentor, antes de expirar, inclinou a cabeça: “E tendo inclinado a cabeça, entregou seu espírito” (Jo. 19,30). Inclinou a cabeça para significar que aceitava a morte, com plena submissão, das mãos de seu Pai, a quem prestava humilde obediência. “Humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fl. 2,8). Jesus, estando na cruz com os pés e as mãos nela cravados, não tinha liberdade de mover outra parte do corpo além da cabeça. Diz S. Atanásio que a morte não ousava tirar a vida ao autor da vida e por isso foi preciso que ele mesmo, inclinando a cabeça (única parte que podia mover), chamasse a morte para que viesse tirar-lhe a vida (Qu. 6 Antioc.). Referindo-se a isso, diz S. Ambrósio que S. Mateus, falando da morte de Jesus, escreve: “Jesus, porém, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito” (Mt. 27,50), para significar que Jesus não morreu por necessidade ou por violência dos carrascos, mas porque o quis espontaneamente, para salvar o homem da morte eterna a que ele estava condenado.


Isso já tinha sido predito pelo profeta Oséias: “Eu os livrarei das mãos da morte, eu os resgatarei da morte. Ó morte, eu serei a tua morte; ó inferno, eu serei a tua mordedura” (Os. 13,14). Os santos padres S. Jerônimo, S. Agostinho, S. Gregório e o próprio S. Paulo, como veremos brevemente, aplicam este texto literalmente a Jesus Cristo, que com sua morte nos livrou das mãos da morte, isto é, o inferno, onde se sofre uma morte eterna. No texto hebraico, como notam os intérpretes, em vez da palavra morte, está a palavra “sceol”, que significa inferno. Como se explica que Jesus Cristo foi a morte da morte? “Serei tua morte, ó morte!” Porque nosso Salvador com sua morte veio destruir a morte a nós devida pelo pecado. Por isso escreve o Apóstolo: “Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado” (1Cor. 15,54). O Cordeiro divino Jesus, com sua morte, destruiu o pecado, que era a causa da nossa morte, e esta foi a vitória de Jesus, pois que ele, morrendo, tirou do mundo o pecado e, conseqüentemente, nos livrou da morte eterna a que estava sujeito até então todo o gênero humano. A isso corresponde aquele outro texto do Apóstolo: “Para que pela morte destruísse aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio” (Hb. 2,14). Jesus destruiu o demônio, isto é, destruiu o poder do demônio, o qual em razão do pecado tinha o império da morte, a saber, tinha o poder de dar a morte temporal e eterna a todos os filhos de Adão, contaminados pelo pecado. E esta foi a vitória da cruz, na qual morrendo Jesus, que é o autor da vida, com a sua morte recuperou-nos a vida. Por isso canta a Igreja: “A vida suportou a morte e pela morte produziu a vida”. Isso tudo foi obra do amor divino, que como sacerdote sacrificou ao Eterno Pai a vida de seu Filho unigênito pela salvação dos homens. E assim canta igualmente a Igreja: “O amor, qual sacerdote, imola os membros do corpo sacrossanto”. S. Francisco de Sales exclamou: “Consideremos este divino Salvador estendido sobre a cruz, como sobre seu altar de amor, onde vai morrer por amor de nós. Ah, por que não nos lançamos também em espírito sobre a cruz, para morrer com ele, que quis morrer por amor de nós?” Sim, meu doce Redentor, eu abraço a vossa cruz e a ela abraçado quero viver e morrer, beijando sempre com amor vossos pés chagados e transpassados por mim.

FONTE: São Pio V

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Paixão de Nosso Senhor.



Passio Domini Nostri Jesu Christi



Havia de ter um termo a criminosa indecisão de Pilatos. Repelindo para cima dos pontífices a responsabilidade do deicídio, o Procônsul lava as mãos do sangue inocente, sem que, todavia, da cerimônia ridícula e seu tanto hipócrita, lhe saísse a consciência mais purificada.

Em fim de contas, por criatura tão de somenos, não se perca a amizade de César - pensaria o Procônsul - e pois que tanto o exigem os pontífices, seja o réu crucificado. Ibis ad crucem.

Não sem um frêmito de terror, acostou-Se o Divino Mestre ao instrumento do suplício. Era a cruz resumido compêndio de sofrimento e de vergonha, mas Jesus a recebe com submissão e religioso respeito, acolhe-a com alegria, com amor até; quem sabe mesmo se a teria beijado com transportes, apertando-a contra o peito, como a um ente querido e longamente acariciado.

Oprobriosa e infamante, não era a cruz tão somente o martírio, mas ainda, e principalmente, a vontade de Deus, o instrumento da nossa salvação, a fonte de todas as bênçãos, o cetro da Sua glória e onipotência.

E começa a Via-dolorosa, longa, acidentada, juncada de cardos e espinhos, que do Pretório vai ao Calvário, passando pela Porta judiciária. Vai na frente, e a cavalo, o centurião romano; seguem-se-lhe os condenados e a sua escolta; vêm após os auxiliares do algoz, com os instrumentos da crucifixão; aos lados e atrás, fechando o lúgubre cortejo, multidão imensa, homens e mulheres de todas as classes da sociedade.

Exausto da longa caminhada, arquejante sob o peso da cruz, coroado de espinhos, malferido e sangrento, vai Jesus acoimado de blasfemo, falso profeta, amotinador do povo. E, todavia, esse é o caminho que todos havemos de palmilhar, bom ou mau grado nosso.

A nossa cruz é a penitência, a nossa cruz são os mandamentos divinos, a nossa cruz são os deveres de estado, a nossa cruz é a luta contra as paixões más, são os males que proliferam na vida, é o esforço da virtude, é o heroísmo da santidade. Como homens e como cristãos, em bem ou em mal, assistidos da graça ou abandonados a nós mesmos. Só nos fica a liberdade da escolha, e, com essa liberdade, a salvação ou a condenação eterna.

* * *

Ao defrontar uma dessas vielas tão freqüentes nas cidades orientais, num grupo de mulheres desoladas, cujos lamentos abafados mal seriam ouvidos no ruidoso cortejo, eis se Lhe depara a Virgem Santíssima, aparição dolorosa e todavia confortadora e desejada.

Essa Mãe, tão pura e tão perfeita que a não sonharam os anjos do céu, Jesus a tinha criado especialmente para Si, preservada da mancha original, revestida de pureza imaculada, espelho de Seu próprio esplendor. Colocada nos confins da divindade, obra-prima das mãos do Onipotente, amou a Jesus com amor sem igual, sobretudo depois que esse seio virginal Lhe foi tabernáculo precioso e odorífero.

Déra-Lhe tudo: amor infinito, beleza infinita, pureza infinita, graça infinita, glória infinita. Por Ela, e só por Ela, esgotara a Sua Onipotência, e, sem embargo, não podia forrá-lA ao espetáculo humilhante da Sua paixão, Havia de comunicar-Lhe ao coração sensibilíssimo a mesma agonia que O prostrava a Ele, sob o peso da cruz.

É que ambos, nos decretos do Altíssimo, estavam como identificados na missão regeneradora do homem. Em seu papel de corredentora, cumpria que Maria Santíssima aceitasse o holocausto, oferecendo-O igualmente à Justiça divina. Carne da Sua carne, era mister que ambos esses corações se conformassem na comunhão dos sofrimentos, ambos generosos, ambos vítimas de amor, ambos por Deus e pelo homem irmanados no mesmo sacrifício.

terça-feira, 15 de abril de 2014

15 Orações de Santa Brígida




Como já há multo tempo Ela (Santa Brígida) desejasse saber o número de golpes que Nosso Senhor rece­beu durante a Paixão, certo dia Ele lhe apa­receu, dizendo:
“Recebi em meu corpo 5.480 golpes. Se de­sejais honrar as chagas que eles me produ­ziram, mediante uma veneração particular, de­veis recitar quinze Pai - Nossos e quinze Ave - Marias, acrescentando as seguintes orações (que Ele lhe ensinou), durante um ano intei­ro; quando o ano terminar, tereis prestado homenagem a cada uma das minhas chagas". Ele acrescentou em seguida que quem recitar essas Orações durante um ano "conseguirá livrar do Purgatório quinze almas de sua famí­lia; quinze justos, também da sua linhagem, serão conservados em graça e quinze pecado­res da sua família serão convertidos.

domingo, 13 de abril de 2014

Domingo de Ramos.



Domingo de Ramos

Israël es tu Rex,
Davídis et ínclyta proles:
Nómine qui in Dómini, Rex benedícte, venis.
Glória, laus.



Vós sois o Rei de Israel,
ilustre descendente de David,
Rei bendito, que vindes em nome do Senhor.
Glória, louvor.

Quando a multidão, ao chegar ao cume do monte descobriu as brancas muralhas da cidade santa com os seus palácios magníficos e o seu vasto templo rodeado de muros de defesa, lançou aos ecos todos do vale os seus gritos de fé e amor: "Hosana! Hosana no mais alto dos Céus! Glória ao Filho de David! Bendito seja o que vem em nome do Senhor, para levantar o reino de David nosso pai!"

Não se podia reconhecer mais formalmente o Messias prometido a Abraão e cantado pelos profetas. E por isso os fariseus invejosos, que se tinham infiltrado no cortejo, exprobravam a Jesus os gritos, a seu ver sediciosos, dos seus partidários. Aquela ovação, feita ao seu inimigo, taxavam-na eles de provocação à revolta contra César. "Mestre, nós vos intimamos, diziam eles, com um despeito que não podiam dissimular, mandai já calar os vossos discípulos! - É inútil, respondeu o Salvador; porque, neste momento, se eles calassem, as próprias pedras clamariam."

Naquela hora, por Deus escolhida para glorificar o Seu Filho em nome da nação judaica, ninguém podia obstar aquela pública manifestação de Sua realeza.

Ai dos que, naquele dia soleme, recusaram abrir os olhos à luz, e blasfemaram contra o Salvador, em vez de cantar com o povo um hino á Sua glória! Do cimo do monte das Oliveiras, pousou Jesus, por um momento a vista sobre aquela Jesuralém que desde há tanto tempo vinha desprezando obstinadamente a graça da salvação, e chorou.

"Ó Jerusalém, exclamou Ele, se quisesses abrir os olhos e reconhecer Aquele, que só, e mais ninguém, te pode dar a paz! Porém não: estás ferida duma cegueira que te há de causar a ruína. Eis vem o dia, em que teus inimigos te rodearão de trincheiras e te encerrarão e apertarão por todas as partes. Eles te destruirão, e esmagarão contra o solo os filhos que encontrarem em teu seio; e de Jerusalém não ficará pedra sobre pedra, porque não conhecestes o tempo em que o Senhor te visitou."

Alguns momentos depois, entrava Jesus na cidade seguido da imensa multidão dos seus discípulos. E toda a população Lhe saiu ao encontro numa agitação profunda. Os estrangeiros perguntavam aos que encontravam: "Que homem é este, e porque tantas aclamações? - É o profeta de Nazaré, respondia-lhes a gente; este foi quem ressuscitou a Lázaro." É o "hosana ao Filho de David" ia ecoando de grupo em grupo, através de toda a cidade.

Quanto os fariseus, mais que nunca exasperados, diziam uns para os outros: "Já vedes que não aproveitamos nada: nós condenamo-lo e eis que toda a gente corre em seu seguimento."

Os discípulos acompanharam Jesus até ao templo; mas Ele só lá se demorou um momento; contudo foi o suficiente para ver que a casa de Deus voltara a ser uma feira pública, tal como de antes. Aproximama-se a noite; e Ele saiu com a deliberação de no dia seguinte por cobro àquelas profanações; depois, tendo despedido as turbas, voltou para o monte das Oliveiras, onde pernoitou, orando a Seu Pai.

(Excertos do livro: Jesus Cristo, Sua vida, Sua paixão, Seu triunfo - R. Pe. Berthe)




sexta-feira, 11 de abril de 2014

Para o fim da Quaresma – Via Sacra escrita por Dom Antônio de Castro Mayer.



ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Meu Senhor Jesus Cristo, disponho-me a acompanhar-Vos no caminho que trilhastes do pretório de Pilatos ao Calvário, para Vos imolardes por minha salvação. Peço-Vos a graça de nos conceder grande dor e arrependimento de ter pecado, causando vossos atrozes sofrimentos, e que vosso Sangue preciosíssimo infunda em minha alma o propósito firme de nunca mais pecar.
ANTES DE CADA ESTAÇÃO
Dirigente: Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos;
Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.
No final da consideração, depois da Ave Maria:
Todos: PESA-ME, SENHOR, de todo o meu coração ter ofendido a vossa infinita bondade, proponho com vossa graça a emenda, e espero que me perdoeis por vossa infinita misericórdia. Amém.
Dirigente: Compadecei-vos de nós, Senhor!
Todos: Compadecei-vos de nós!
Dirigente: Que as almas dos fiéis defuntos, por misericórdia de Deus, descansem em paz.
Todos: Amém.
OBS.: O FIEL DEVE FICAR:
DE PÉ: Durante o Cântico e a Leitura do Texto.
DE JOELHOS: Durante a leitura do texto da 12.ª Estação e demais orações.
I ESTAÇÃO
A morrer crucificado
Teu Jesus é condenado
Por teus crimes, pecador.
Jesus é condenado à morte
Dirigente: Cedendo aos clamores dos judeus, Pilatos condenou Jesus à morte na Cruz.
O que levou os judeus a pedirem a morte de Jesus Cristo foi sua infidelidade. Quiseram seguir uma religião do seu agrado, e não a Religião revelada pelo Filho de Deus humanado. Nisto imitaram a desobediência de Adão e a rejeição da vontade de Deus.
Nós estamos na mesma miserável condição. Humilhemo-nos e peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça de sermos fiéis à Santíssima Vontade de seu Divino Filho.
Ave Maria…

terça-feira, 8 de abril de 2014

A oração do Terço.




Setembro 19, 2010 escrito por drupal_migrador

A Santa Igreja sempre nos ensinou que o Terço é uma oração completa, pois abrange a oração vocal, a meditação e a contemplação dos mistérios de Deus. Nossa Senhora, nossa Mãe, em todas as ocasiões em que se dignou aparecer aos seus mais humildes filhos (La Salette, Lourdes, Fátima) sempre insistiu para que rezássemos todos os dias o santo Terço. Se é verdade que algumas pessoas encontram certa dificuldade em rezá-lo, também é certo que aquelas que conseguiram vencer estas dificuldades testemunham da riqueza de graças que descobriram ao passar a rezá-lo com freqüência. Nada mais saudável para as famílias do que reunir os filhos em torno da imagem de Nossa Senhora para dirigir a Ela nossas súplicas, no meio de tantas necessidades e perigos.

Divino Jesus, eu Vos ofereço este Terço que vamos rezar contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria, Vossa Mãe Santíssima, as virtudes que me são necessárias para bem rezá-lo e a graça de ganhar as indulgências anexas a esta devoção.

Ofereço-Vos particularmente este Terço ... (seguem as intenções).

Iniciamos com o Creio em Deus Pai

Segue um Pai Nosso, três Ave Marias e um Glória, em honra da Santíssima Trindade.

Antes de cada dezena, faz-se o oferecimento do mistério, dando-se os frutos correspondentes. Pode-se fazer uma curta meditação sobre o mistério, lida no livro O mês do Rosário, do Pe. Emmanuel, ou similar. Reza-se o Pai Nosso, as dez Ave Marias e o Glória.

No fim de cada dezena reza-se a oração que o anjo ensinou aos pastorinhos de Fátima:

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem.

No final do terço reza-se a Salve Rainha que poderá ser precedida do agradecimento seguinte:

Infinitas graças Vos damos, Soberana Princesa, pelos benefícios que todos os dias recebemos de Vossas mãos liberais. Dignai-Vos, agora e sempre, tomar-nos debaixo de Vosso poderoso amparo, e para mais Vos obrigar, Vos saudamos com uma Salve Rainha

Reza-se, por fim, a Ladainha de Nossa Senhora e a Oração à São José.


FONTE: Permanência.