quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sete últimas palavras de Jesus na Cruz: Terceira palavra.



Terceira palavra de Jesus Cristo na cruz:

Dicit matri suae: Mulier, ecce filius tuus. Deinde dicit discipulo: Ecce mater tua:
“Diz à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois diz ao discípulo: Eis aí tua mãe”
(Io. 19, 26 et 27).


I. Fogem as mães da presença de seus filhos moribundos; o amor não lhes permite assistirem a tal espetáculo, verem-nos sofrer sem que lhes possam trazer alívio. A divina Mãe, porém, quanto mais o Filho estava próximo a morrer, tanto mais se aproximava da cruz. E assim como o Filho sacrificava a vida pela salvação dos homens, ela oferecia a sua dor, compartilhando com perfeita resignação todos os seus sofrimentos e opróbrios. Pelo que o Senhor, volvendo-se para São João, que estava ao lado dela, disse: Mulier, ecce filius tuus. — “Mulher, eis aí teu filho”.

Mas porque é que Jesus a chamou mulher e não mãe? Pode-se dizer que a chamou mulher, porque estava já próximo à morte e assim lhe falou para se despedir, como se dissesse: Mulher, em breve estarei morto, de modo que ficarás sem filho na terra. Deixo-te, portanto, a João, que te servirá e amará com amor de filho. A razão, porém, mais íntima, pela qual Jesus chamou Maria mulher e não mãe, é esta: quis Jesus assim patentear que é ela a grande mulher predita no livro Gênesis, a qual havia de esmagar a cabeça do orgulhoso Lúcifer.

Disse Deus a serpente: Inimicitias ponam inter semen tuum et semen mulieris (1) – “Porei inimizade entre a tua descendência e a da mulher”. Isso indicava que, depois da perdição dos homens em consequência do pecado e apesar da obra da Redenção, haveria no mundo duas famílias e duas descendências. Pela descendência do demônio é significada a família dos pecadores, pela descendência de Maria é significada a família santa que abrange todos os justos com seu chefe Jesus Cristo. De modo que a Virgem foi destinada a ser mãe tanto da cabeça como dos membros, que são os fiéis. — Queres saber se também és do número dos filhos espirituais de Maria? Examina se és animado pelo espírito de seu filho, Jesus Cristo.

II. Para compreendermos melhor ainda que Maria é mãe de todo bom Cristão, já o Evangelista não quis chamar São João pelo seu nome próprio, mas pelo discípulo; e logo em seguida acrescenta que o Senhor volvendo-se para o discípulo, lhe disse: “Eis aí a tua mãe” — Ecce mater tua. Por esta razão, escreve Dionísio Cartusiano que a divina Mãe, pelas suas orações e pelos merecimentos que adquiriu, especialmente pela assistência à morte de Jesus Cristo, alcançou para nós o podermos participar dos merecimentos da Paixão do Redentor. — Ponhamos, pois, na Santíssima Virgem toda a esperança e em toda a necessidade recorramos a ela, dizendo: Monstra te esse matrem - “Mostrai que sois minha mãe”. Mas tratemos ao mesmo tempo de, pelas nossa obras, nos mostrarmos seus dignos filhos — Monstra te esse filium.

Ó Rainha de dores, são demasiado caras a uma mãe as recordações de um filho querido que morre e nunca mais lhe podem sair da memória. Lembrai-vos, pois, que na pessoa de São João vosso Filho me vos deu por filho, a mim que sou um pecador. Pelo amor que votais a Jesus, tende compaixão de mim. Não vos peço bens terrestres. Vejo que vosso Filho morre por meu amor, de morte tão dolorosa; vejo que também vós, minha Mãe inocente, padeceis por mim tantas dores; e vejo que eu pecador miserável e réu do inferno pelos meus pecados não tenho sofrido nada por vosso amor. Alguma coisa quero sofrer, antes que morra. É esta a graça que vos peço, e com São Boaventura vos digo que, se vos ofendi, justo é que eu sofra por castigo; e, se vos servi, é justo que eu sofra em recompensa.

Ó Maria, alcançai-me uma grande devoção à Paixão de vosso Filho e uma lembrança continua da mesma. Pela aflição que padecestes ao vê-Lo expirar na cruz, obtende-me uma boa morte. Minha Rainha, assisti-me nesse último momento e fazei com que eu morra dizendo: “Jesus, Maria, José, eu vos dou meu coração e minha alma. Jesus, Maria, José, assisti-me na minha última agonia. Jesus, Maria, José, expire eu em paz na vossa companhia.” (2) (*I 670.)

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1. Gen. 3, 15.
2. Indulg. de 100 dias por cada uma dessas jaculatórias.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 168 - 170.)

Fonte:
São Pio V

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sermão da Epifania - Vestimenta e Modéstia







Como posso fazer com que meu filho de quatro anos de idade participe do nosso Rosário diário?




Como posso fazer com que meu filho de quatro anos de idade
participe do nosso Rosário diário?

Pe. Peter Scott


A oração das crianças é uma coisa muito delicada. Não diferentemente dos discípulos, que repreenderam os que trouxeram crianças pequenas para ser abençoadas por Nosso Senhor, achamos difícil compreender que as crianças possam fazer o que nós achamos tão difícil de fazer, ou seja, rezar. No entanto, Nosso Senhor foi claro: “Deixai vir a Mim as crianças, e não as impeçais: pois delas é o Reino dos Céus” (Mt. 19,14).

As crianças podem orar de fato, mas apenas dentro dos limites das suas capacidades, ou seja, de sua compreensão, concentração e atenção. Além disso, a sua oração deve manter a simplicidade infantil para ser genuína: espontaneidade em pedir o que precisa, orar por mamãe e papai, pedir a Jesus desculpas por suas falhas, etc. O artigo de Mary Reed Newland “Ensinando as crianças a orar” em Raising Your Children [ Crian do Seus Filhos ] (disponível em Angelus Press) tem algumas sugestões práticas: “As crianças têm uma fé tão simples na eficácia da oração que é fácil para elas formar o hábito de orar em todos os tipos de ocasiões… ocasiões de crises menores durante o dia. Sua oração será feita em voz alta, de maneira natural, e com a simplicidade da fé que é como um grão de mostarda, elas esperam que a montanha seja movida. É muito fácil plantar o hábito, e seu mundo é muito mais seguro, porque desta fé de que Deus está pronto e disposto a ajudá-las em tudo, rezar a Ele é uma segunda natureza para elas”. (Págs. 137-138) Se o Rosário em família não se tornar uma tarefa sem fim para as crianças pequenas, esses princípios devem ser aplicados.

Sete últimas palavras de Jesus na Cruz: Segunda palavra.

Segunda palavra de Jesus na cruz:

Amen dico tibi: Hodie mecum eris in paradiso
“Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso”
(Luc. 23, 43).


I. Para que o nome de Jesus Cristo ficasse eternamente difamado, os judeus crucificaram-No entre dois ladrões, como usurpador sacrílego da divindade; cumprindo assim a profecia de Isaías: Et cum sceleratis reputatus est (1). — “Ele foi colocado no número dos malfeitores”. O Senhor permitiu esta malícia diabólica afim de nos dar um belo exemplo de conversão sincera e, ao mesmo tempo, uma prova exímia de sua infinita misericórdia.

Refere São Lucas que dos dois ladrões um ficou obstinado e outro se converteu. Este, vendo que seu companheiro perverso blasfemava contra o Senhor, pôs-se a repreendê-Lo dizendo que eles eram castigados conforme mereceram, mas que Jesus era inocente e não tinha feito mal algum. E depois , volvendo-se para o próprio Jesus, disse: Domine, memento mei, cum veneris in regnum tuum (2). — “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Com estas palavras, reconheceu-O por seu verdadeiro Senhor, e, segundo observa Arnoldo de Chartres, deu provas das mais belas virtudes: Ibi credit, poenitet, praedicat, amat, confidit et orat — “Ele crê, arrepende-se, prega, ama, confia e ora”.

Na cruz, o bom ladrão praticou a fé, crendo, como diz São Gregório, que Jesus Cristo, depois de morto, havia de entrar triunfante no reino de sua glória. Praticou penitência, confessando que merecia a morte e não se atrevendo, na palavra de Santo Agostinho, a esperar perdão antes da confissão de suas culpas. Pregou, exaltando a inocência de Jesus. Praticou, sobretudo, o amor para com Deus, aceitando com resignação a morte em expiação de seus pecados. Pelo que São Cipriano não hesita em chamá-lo verdadeiro mártir, batizado em seu próprio sangue. Felizes de nós, se, tendo seguido o ladrão em seus desvarios, o imitarmos também na sua conversão sincera a Deus! .

II. À súplica do bom ladrão, respondeu Jesus unicamente prometendo-lhe para o mesmo dia o paraíso: “Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso”. Escreve um sábio escritor que, em virtude desta promessa, o Senhor, no mesmo dia e imediatamente depois da morte, se lhe mostrou a descoberto e tornou-o felicíssimo, muito embora não lhe comunicasse todas as delícias do céu antes de ali entrar.

Consideremos neste fato a bondade de Deus, que sempre concede mais do que se lhe pede; porquanto, como observa Santo Ambrósio, o bom ladrão pediu tão somente a Jesus Cristo que se lembrasse dele e no mesmo instante Jesus Cristo lhe promete e lhe dá o paraíso. Observa, além disso, São João Crisóstomo, que antes do bom ladrão ninguém merecera a promessa do paraíso. Realizou-se então o que Deus disse pela boca de Ezequiel que, quando o pecador se arrepende de seus pecados com coração sincero, Deus os perdoa de tal modo, como se não se lembrasse mais das injúrias recebidas: Si autem impius egerit poenitentiam, omnium iniquitatum eius non recordabor (3).

Consideremos ainda que, para o mau ladrão, a cruz padecida com impaciência foi causa de maior perdição no inferno, ao passo que para o bom ladrão a cruz padecida com paciência se tornou escada do paraíso. - Feliz de ti, ladrão santo, que tiveste a ventura de unir a tua morte à de teu Salvador! Ó meu Jesus, d'oravante consagro-Vos toda a minha vida, e peço-Vos a graça de, na hora da morte, poder unir o sacrifício de minha vida ao que oferecestes a Deus sobre a cruz. Pelos méritos desse vosso sacrifício espero morrer em vossa graça, amando-Vos com amor puro e livre de todo o afeto terreno, afim de continuar a amar-Vos com todas as minhas forças por toda eternidade. — Ó Maria, minha aflita Mãe, alcançai-me a santa perseverança. (*I 669.)

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1. Is. 53, 12.
2. Luc.23, 42.
3. Ez. 18, 21 et 22.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 165 - 167.)

Fonte: São Pio V



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

1812 - Tchaikovsky





A Abertura Solene Para o Ano de 1812 é uma obra orquestral de Pyotr Ilyich Tchaikovsky comemorando o fracasso da invasão francesa à Rússia em 1812 e a subsequente devastação do "Grande Armeé" de Napoleão. A obra é também conhecida pela sua sequência de tiros de canhão que é, em alguns concertos ao ar livre, executada com canhões verdadeiros.



Sete últimas palavras de Jesus na Cruz: Primeira Palavra.



Primeira palavra de Jesus Cristo na cruz:

Pater, dimitte illis: non enim sciunt quid faciunt
 “Pai, perdoai-lhes; pois não sabem o que fazem”
(Luc. 23, 34).


 I. Ó ternura do amor de Jesus Cristo para com os homens! Os judeus, depois de O pregarem na cruz, injuriam-No, insultam-No e prorrompem em blasfêmias; e Jesus, entretanto, que faz? Jesus, diz Santo Agostinho, não cuida tanto nos ultrajes que recebe da parte daquele povo, como no amor que O faz morrer para o salvar; e por isso, ao mesmo tempo que é injuriado pelos seus inimigos, volve-se ao Eterno Pai, pede perdão para eles e procura desculpar o crime nefando pela ignorância: Pai, perdoai-lhes; porque não sabem o quer fazem.

“Ó maravilha!” exclama São Bernardo; “Jesus Cristo pede perdão e os judeus gritam crucifige — crucifica-O.” E São Cipriano acrescenta: Vivificatur Christi sanguine qui effudit sanguinem Christi — “Recebem a vida pelo sangue de Cristo, aqueles mesmos que derramaram o sangue de Cristo”. Na sua morte, tinha o Senhor tamanho desejo de salvar a todos, que não deixa de fazer participar dos méritos de seu sangue àqueles mesmos que Lho extraem das veias à força de tormentos. Numa palavra, como diz Arnoldo de Chartres, ao passo que os judeus trabalham para se condenarem, Jesus Cristo se empenha em os salvar.

E não ficaram improfícuos os seus empenhos; pelo que, sendo mais poderosa para com Deus a caridade do Filho, do que a cegueira daquele povo ingrato, a oração de Nosso Senhor moribundo fez, como escreve São Jerônimo, que no mesmo momento muitos judeus abraçassem a fé; e, na opinião de São Leão, os milhares de judeus que se converteram pela pregação de São Pedro, foram o fruto da oração de Jesus Cristo.

Mas dirá alguém: Porque é que Jesus rogou ao Pai que lhes perdoasse, já que Ele mesmo lhes podia perdoar as injúrias? Responde São Bernardo que assim nos quis ensinar a orar pelos que nos perseguem. Por isso Santo Agostinho conclui: “Cristão, olha o teu Deus pendurado na cruz; ouve como roga pelos que O crucificaram e depois atreve-te a recusar o perdão ao irmão que te ofendeu”.

II. Cada vez que o pecador peca gravemente, diz São Paulo, pelo que depende dele calca aos pés o Filho de Deus, profana e despreza o seu sangue (1) e chega a renovar a sua paixão e morte: Rursum crucifigentes sibimet ipsis Filium Dei (2) — “Outra vez crucificam Jesus Cristo para si próprios”. — Naquela oração que Jesus Cristo fez por seus crucificadores, abrangeu o Senhor, pela sua divina providência, todos os pecadores e a nós particularmente. Eis porque podemos confiadamente dirigir-nos a Deus e dizer-lhe: Pater, dimitte! — Pai, perdoai-me!

Ó Pai Eterno, escutai a voz de vosso amado Filho, que Vos pede que me perdoeis. É verdade que o perdão é obra de misericórdia para conosco, visto que não o merecemos; mas é obra de justiça para com Jesus Cristo, que satisfez superabundantemente pelos nossos pecados. Em vista de seus merecimentos não podeis deixar de nos perdoar e de receber em vossa graça àquele que se arrepende das ofensas que Vos fez. Meu Pai, arrependo-me de todo o meu coração e antes quisera ter morrido mil vezes do que Vos ter ofendido.

Meu Deus, não quero ser obstinado como os judeus; quero mudar de vida; em compensação das ofensas que Vos fiz, quero, para o futuro, amar-Vos com mais fervor; e pelos merecimentos de Jesus Cristo, peço-Vos a graça de executar esta minha resolução. — Ó Maria, minha Mãe, sabeis que sou um pobre enfermo, perdido por causa de meus pecados; mas vosso Filho desceu do céu à terra expressamente para se fazer homem em vosso seio, e assim vos fez Rainha de misericórdia e Refúgio dos desesperados, para curar os enfermos e salvar os que estavam perdidos, desde que se arrependam de seus pecados. Curai-me, pois, e salvai-me pela vossa intercessão. (*I 668.)

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1. Hebr. 10, 29.
2. Hebr. 6, 6.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III: Desde a Décima Segunda Semana depois de Pentecostes até o fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 146 - 149.)

Fonte: São Pio V

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Pensamentos de Santa Teresinha




"Enfim, chegou o belo dia das minhas núpcias. Foi sem nuvem, mas na véspera levantou-se em minha alma uma tempestade como nunca tinha visto... Nenhuma dúvida quanto à minha vocação tinha surgido antes, precisava passar por essa provação. De noite, ao fazer minha via-sacra após matinas, minha vocação apareceu-me como um sonho, uma quimera... achava a vida do Carmelo muito bonita, mas o demônio me assegurava que não era para mim, que eu enganaria meus superiores prosseguindo num caminho que não era para mim... Minhas trevas eram tão grandes, que não via e só compreendia uma coisa: não tinha essa vocação!... Ah! como descrever a angústia da minha alma?... Tinha impressão (coisa absurda que mostra bem que essa tentação vinha do demônio) de que se falasse dos meus temores para minha mestra ela me impediria de fazer meus santos votos; mas eu queria fazer a vontade de Deus e voltar para o mundo de preferência a ficar no Carmelo fazendo a minha. 

Fiz minha mestra sair e, cheia de confusão, contei-lhe o estado da minha alma... Felizmente, ela enxergou melhor que eu e me tranqüilizou completamente. Aliás, o ato de humildade que eu tinha feito acabava de afugentar o demônio, que talvez pensasse que eu não ia ousar confessar a minha tentação; logo que acabei de falar, minhas dúvidas se foram. Mas, para tornar meu ato de humildade mais completo, quis confiar minha estranha tentação à nossa Madre, que se contentou em rir de mim." 

(História de uma alma, Santa Teresinha)