domingo, 15 de dezembro de 2013

Meditações para o Natal (IX)



Ele nos amou e se entrou por nós (Ef 5,2).


Considera que o Verbo eterno é Deus, o Ser infinitamente feliz em si mesmo, de sorte que não podia ser maior a sua felicidade: a salvação de todos os homens não podia aumentá-la nem diminuí-la; e não obstante Ele tanto fez e padeceu para salvar a nós, miseráveis vermes, que não podia fazer nem padecer mais, diz S. Tomás, se a sua felicidade dependesse da do homem. E de fato, se Jesus Cristo não tivesse podido ser feliz sem remir-nos, como poderia humilhar-se mais do que se humilhou, chegando a tomar sobre si as nossas enfermidades, os abaixamentos da infância, as misérias da vida humana, e uma morte tão cruel e ignominiosa?

Só um Deus era capaz de amar-nos com tal excesso, a nós miseráveis pecadores, tão indignos de amor. Se Jesus Cristo, diz um piedoso autor, nos permitisse pedir-lhe as maiores provas de seu amor, quem jamais ousaria pedir-lhe que se fizesse criança como nós, se revestisse de todas as nossas misérias, se tornasse o mais pobre, o mais desprezado e o mais maltratado de todos os homens, até a morrer pela mão dos carrascos e à força de tormentos num patíbulo infame, amaldiçoado e abandonado por todos, mesmo por seu Pai eterno que abandonou o Filho para não nos abandonar em nossa ruína? Mas o que nós nem ousaríamos pensar, o Filho de Deus pensou e fez. Desde a infância se sacrificou por nós às penas, aos opróbrios e à morte. Ele nos amou e como penhor desse amor deu-se a nós, a fim de que, oferecendo-o como vítima a seu Pai para expiar nossas faltas, pudéssemos por seus méritos obter da bondade divina todas as graças que desejamos, pois essa Vítima é mais agradável aos olhos de Deus Padre, do que o seria o sacrifício da vida de todos os homens e de todos os anjos. Ofereçamos, pois sempre a Deus os méritos de Jesus Cristo, e por eles peçamos e esperemos todos os bens.

Afetos e Súplicas.

Meu Jesus, eu seria muito injusto para com a vossa misericórdia e o vosso amor, se, após tantas provas de vosso afeto e da vontade que tendes de me salvar, eu desconfiasse do vosso amor e da vossa misericórdia. Meu amado Redentor, sou um pobre pecador; mas viestes procurar não os justos mas os pecadores. Sou um pobre doente; mas viestes curar os enfermos: Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos, dissestes vós. Eu me perdi por meus pecados; mas viestes, vós mesmo no-lo garantis, para salvar os que estavam perdidos. Que tenho, pois a temer se quero emendar-me e ser vosso? Só posso desconfiar de mim mesmo, da minha fraqueza, mas minha fraqueza e minha miséria devem aumentar minha confiança em vós, que vos dizeis o refúgio dos pobres e que prometestes atender os seus desejos. A graça pois que vos peço é a de pôr minha confiança em vossos méritos e de nunca cessar de me recomendar a Deus em vosso nome. — Padre eterno, pelo amor de Jesus Cristo, salvai-me do inferno, e acima de tudo do pecado; pelos méritos desse amado Filho, iluminai-me para cumprir a vossa vontade, fortificai-me contra as tentações, dai-me o dom do vosso amor. Porém mais do que tudo peço-vos a graça de suplicar sempre o vosso socorro139 pelo amor de Jesus Cristo, que prometeu que atendereis todas as súplicas de quem vos pede em seu nome. Se eu continuar a pedir-vos assim, serei certamente salvo; do contrário perder-me-ei certamente.

Santíssima Virgem, obtende-me a grande graça da oração e da constância em recomendar-me sempre a Deus e também a vós, que obtendes de Deus tudo o que desejais.

(Encarnação, Nascimento e Infância de Jesus Cristo – Santo Afonso Maria de Ligório)

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