sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Cordão de Santo Tomás



O Cordão de Santo Tomás



Em 1243, o jovem dominicano, com apenas 18 anos de idade, foi raptado por sua família, que se opunha à sua vocação, mas, como depois de um ano nada pudera abalar a constância do prisioneiro, seus irmãos resolveram recorrer a um meio sugerido pelo inferno. Introduziram uma cortesã no quarto onde ele estava preso. Elevando um olhar ao céu, Tomás pegou um tição ardente e expulsou a infeliz. Depois, com o mesmo tição traçou uma cruz na parede, caiu de joelhos e renovou em pranto o seu desejo de não se apartar de Deus. Então, enquanto rezava, um sono suave se apoderou dele. Em seguida, dois anjos cingiram-no com um cordão miraculoso que lhe conferiria o dom da virgindade perpétua e o preservaria para sempre das tentações da carne. “Se a pureza de Santo Tomás tivesse sucumbido a esse perigo extremo”, conclui o papa Pio XI, “é verossímil que a Igreja jamais tivesse o seu Doutor Angélico” (Encíclica StudiorumDucem, 1923).

Quando Santo Tomás de Aquino morreu, encontrou-se sobre ele o cordão miraculoso, que foi conservado uma relíquia. Tornando-se propriedade das religiosas de São Domingos, foi doado por Jean de Verceil, sexto superior geral da ordem, ao convento de sua cidade natal, Verceil, no Piemonte. São Pio V desejou vivamente fazer vir para Roma esta relíquia sem par em seu gênero, para enriquecer uma das grandes basílicas. Mas a morte o impediria de executar o seu projeto. Tendo os Frades Pregadores deixado Verceil, é desde então em seu convento de Chieri, perto de Turim, que a relíquia é conservada.

A partir de então o cordão ficou acessível à veneração dos fiéis. Algumas pessoas piedosas tiveram a ideia de portar objetos que houvessem tocado a relíquia, e, segundo o relato de sérios historiadores, tais objetos se tornariam um possante remédio contra as tentações da carne. Tal prática seria mantida por longo tempo.

Em 1580, um religioso dominicano, o Padre Cipriano Uberti, doutor em teologia e pregador de renome na Itália, vendo que a devoção ao cordão de Santo Tomás crescia cada vez mais, e que se tornara impossível satisfazer a piedade de tantos fiéis de portar objetos que houvessem tocado a Santa Relíquia, pensou em mandar confeccionar um grande número de cordões semelhantes ao cinto celeste e distribuir a quem o pedisse. A ideia foi coroada de imenso sucesso. No espaço de alguns dias, foram distribuídos milhares destes cordões em Verceil e nas cidades vizinhas.

Sob esta nova forma a devoção se espalharia rapidamente por toda a Itália, e não tardaria a ultrapassar as fronteiras. A venerável irmã Maria Villani, da Ordem de São Domingos, distinguia-se por seu zelo em propagá-la. Além disso, recebeu de Deus, por mediação de Santo Tomás, o dom de uma pureza resplandecente: ”Senhor”, disse ela, “concedei-me que eu reparta com outros a graça que recebi”. Deus lhe respondeu: “Eu te ouvi, e os cordões que doravante trançares com suas mãos comunicarão àqueles que o portarem a força de vencer as tentações”. Logo ela faria alguns cordões conforme o primeiro modelo, e não cessaria de distribuí-los aos fiéis com grandes frutos de virtude. Os Frades Pregadores não davam conta de satisfazer o ardor dos fiéis. Foi necessário comunicar seus poderes e privilégios aos clérigos regulares e a religiosos de outras ordens. Os Padres da Companhia de Jesus, em particular, o fariam florescer com zelo e inteligência, e o apresentariam com sucesso a pessoas de todo o mundo e de todas as idades e condições. Viam-se reis, rainhas, papas e bispos considerar uma honra portar o cordão de Santo Tomás e da Santíssima Virgem. Numerosos milagres viriam recompensar este zelo. “Eu não seria capaz”, escreveu o Padre Camille Quadrio, da Companhia de Jesus e vice-diretor do Colégio de Verceil, “de descrever todas as graças obtidas pelo cordão do santíssimo e sapientíssimo Doutor Santo Tomás de Aquino. Para relatá-los seriam necessários vários volumes inteiros”. O Padre Aurele Coberlino, da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, atesta a mesma coisa. Cita-se um exemplo particular de um navio assaltado pela tempestade e prestes a naufragar. No meio de relâmpagos e ribombar de trovões, o capitão invocou com fé a Santo Tomás e apresentou o cordão bento às ondas. Em um instante o mar se acalmou, e o navio se salvou. Não é, pois, de espantar que logo a piedosa devoção, fonte de tantas maravilhas, se expandisse por todas as partes do mundo cristão.

Os que veneraram o cordão miraculoso descreveram-no assim: ele possui em uma de suas extremidades dois laços dentro dos quais se introduz a extremidade oposta. A parte destinada a cingir o corpo é uniforme e um pouco mais larga que uma palha. A parte que fica livre fora das laços compõe-se de duas pequenas faixas iluienlaçadas uma à outra por meio de quinze nós de igual espessura e posicionados a distâncias equivalentes uns dos outros e nisso os autores piedosos veem uma alusão aos quinze mistérios do rosário. Sua cor é branca, mas está um pouco enegrecido pelos objetos que o tocaram. É tecido de múltiplos fios tão finos, que o olho humano, por mais que se esforce, não poderá discernir sua verdadeira natureza. Bastava aos devotos peregrinos olhá-lo para sentir desenvolver-se neles o amor pela castidade e uma impressão de consolação de todo celeste.

Oração do Cordão de Santo Tomás

Para Obter o Precioso Dom da Pureza.

Castíssimo Santo Tomás, escolhido como um lírio de inocência, vós, que sempre conservastes sem mancha a veste batismal, vós, que, cingido por dois anjos, fostes um verdadeiro anjo na carne, eu vos rogo que me encomende a Jesus, Cordeiro sem mancha, e a Maria, a rainha das virgens, para que também eu, portando ao redor de meus rins o vosso santo cordão, receba o mesmo dom que vós, e assim, imitando-vos assim na terra, seja um dia coroado entre os anjos convosco, o grande protetor de minha inocência.
Pai nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

Oremos:

Ó Deus, que vos dignastes munir-nos com o sagrado cordão de Santo Tomás no meio das tão difíceis lutas que temos de suportar, nós vos suplicamos que nos conceda, por seu socorro celeste, vencer honrosamente o combate contra o inimigo de nossos corpos e de nossas almas, para que, coroados com o lírio de uma pureza perpétua, mereçamos receber a palma dos bem-aventurados na casta companhia dos anjos. P.N.S.J.C. Amém. 


(Texto cedido pelo monge beneditino do 
Mosteiro da Santa Cruz, Nova Friburgo - RJ, o Ir. Pio.).

Nenhum comentário:

Postar um comentário